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06 de Novembro de 2014, 10h:58 - A | A

NACIONAL / CRISE HÍDRICA

Água de esgoto vai ser tratada para consumo nas cidades afetadas

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Crise da água atinge estados da região sudeste do país

Crise da água atinge estados da região sudeste do país

DO TERRA



Em meio à crise hídrica que assola o Estado de São Paulo, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou, nesta quarta-feira, a construção de duas estações de produção de água de reuso que abastecerão diretamente as bacias dos sistemas Guarapiranga e Alto Cotia.

Segundo informações do Estado de S. Paulo, estas serão as primeiras instalações estaduais para captar o esgoto e transformá-lo em água de reúso que servirá para o consumo. Ainda em fase de projeto, elas têm previsão de entrega para dezembro de 2015.

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"Na estação do Guarapiranga, vamos gerar 2 metros cúbicos por segundo de água de reuso. Teremos esse valor a mais sendo devolvido ao Guarapiranga independentemente de chuva", explicou Alckmin. A outra estação será feita na região do Rio Cotia e terá capacidade de produção de 1 metro cúbico por segundo. Cada metro cúbico de água é suficiente para abastecer 300 mil pessoas.

O governador também anunciou a construção de 29 reservatórios, que aumentarão em 10% a capacidade de reserva de água tratada na Região Metropolitana. Segundo ele, a Sabesp vai aumentar a água da Represa Billings para o Sistema Guarapiranga. O volume repassado passará dos atuais 2 para 4 metros cúbicos por segundo. Por essa razão, foi reduzida há um mês a água enviada da Billings para a usina hidrelétrica do litoral.

Opiniões sobre o reuso

As medidas de reforço nos demais sistemas de abastecimento da Região Metropolitana têm como objetivo diminuir a demanda sobre o Sistema Cantareira. Atualmente, 2,3 milhões de consumidores deste último são atendidos pelo Guarapiranga e Alto Tietê.

Em 17 de outubro, o EcoD publicou as opiniões do professor Ivanildo Hespanhol (Poli-USP) sobre o reuso de água em São Paulo. Na concepção do especialista, a região metropolitana precisa começar a reusar a água para que o sistema hídrico tenha sustentabilidade.

"Nós continuamos trazendo água de fora, produzindo esgoto e não tem nem planejamento para tratá-lo", criticou Hespanhol.  Aproveitando as estações existentes, o sistema de tratamento poderia, de acordo com o professor, ser aprimorado para que essa água fosse destinada para aproveitamento não potável, como o uso industrial.  

Resistência cultural

Existe, inclusive, de acordo com Hespanhol, uma resistência cultural ao uso de esgoto tratado para o abastecimento. “A nossa percepção cultural inibe a utilização de esgoto como água potável ou não potável”, destacou.

 

O professor garante, entretanto, que os processos de reúso podem transformar o esgoto em água e ser usada para qualquer finalidade. Para o abastecimento das cidades, Hespanhol diz que a água de reuso pode ser misturada a água usada normalmente para o abastecimento. “Onde ele seria diluído, teria a qualidade melhorada, voltaria para estação de tratamento, produzindo água”, detalhou.

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