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10 de Setembro de 2015, 18h:15 - A | A

JUDICIÁRIO / FAMÍLIA BRUNINI

Filho de assassinado acredita que Arcanjo receba pena máxima; 'seria um marco histórico e moralizador', diz

“Hoje realmente é um dia histórico para Mato Grosso, hoje, amanhã e até o dia em que for dada a decisão da juíza, porque nossa expectativa é que a impunidade não reine em nosso país", disse filho de assassinado

Reprodução

"Nossa expectativa é que o réu seja condenado à pena máxima”, disse Rafael Brunini, em nome da família da vítima.

RAFAEL DE SOUSA
KEKA WERNECK



O filho do empresário Rivelino Brunini, morto a tiros em 2002, supostamente a mando do ex-comendador e bicheiro João Arcanjo Ribeiro, que está sendo submetido a  júri popular nesta quinta-feira (10), em Cuiabá, disse à imprensa, no intervalo do longo julgamento, que aguarda ansiosamente pela condenação do réu e que se isso acontecer será um marco no processo de moralização do estado.

“Hoje realmente é um dia histórico para Mato Grosso, hoje, amanhã e até o dia em que for dada a decisão da juíza, porque nossa expectativa é que a impunidade não reine em nosso país", disse filho de assassinado

O julgamento de Arcanjo, que responde como mandante da morte de Brunini, começou às 8 horas e não tem previsão de término, podendo continuar nesta sexta-feira (11), no Fórum Criminal da capital.

“Hoje realmente é um dia histórico para Mato Grosso, hoje, amanhã e até o dia em que for dada a decisão da juíza, porque nossa expectativa é que a impunidade não reine em nosso país, inclusive em Mato Grosso, e ele, não sendo acusado pelos crimes, não só este, mas vários que cometeu, dá a impressão de que o crime compensa. Nossa expectativa é que o réu seja condenado à pena máxima”, disse Rafael Brunini, em nome da família da vítima.

Na ocasião do assassinato, ele tinha 11 anos e o irmão dele, 5.

“Nos sentimos intimidados, embora a gente ainda fosse criança. Mas minha tia, quando estava no exterior, ninguém, nem nós, nem a Justiça, nem o procurador Pedro Taques na época, sabia o endereço dela e, três a quatro anos depois do fato, ela recebeu uma ligação no telefone privado, que se ela voltasse ao Brasil já chegaria aqui morta”, detalha o rapaz.

"Nossa expectativa é que o réu seja condenado à pena máxima”, disse Rafael Brunini, em nome da família da vítima.

Ele conta que, com a morte do pai, que criava os dois filhos, a mãe deles, que morava na Itália, retornou ao Brasil.

“É difícil de falar como nos sentimos, como filhos, porque tudo que meu pai dizia é que, se perdesse a guarda dos filhos, perderia a vida. Então para a gente ele era mais que um pai, era um superpai. Se a gente falava: pai eu quero isso. Ele dizia: toma. Estava presente em todos os momentos, era um amigo, um companheiro e nos preparou para a vida. E quando você perde seu escudo, se sente totalmente vulnerável, foi isso que eu senti até pouco tempo, e acredito que seja isso também que meu irmão sentiu”, disse ao Rafael .

"Quando você perde seu escudo, se sente totalmente vulnerável, foi isso que eu senti até pouco tempo, e acredito que seja isso também que meu irmão sentiu”, pontuou Rafael.

Neste júri, Arcanjo responde pela morte de Brunini, que segundo o Ministério Público Estadual (MPE), estava invadindo o setor do bicheiro, o que o incomodou. O assassinato seria retaliação contra a concorrência que o empresário do ramo ilegal de jogos de azar estava fazendo.

Acontece que na hora do crime estava com Brunini o amigo dele Rachid Jaudy, atingido por engano e que também faleceu. O pintor Gisleno Fernandes também foi atingido por engano, mas escapou com vida.

O OUTRO LADO

O advogado de Arcanjo, Paulo Fabriny, afirma que a acusação não tem prova da participação do ex-comendador neste crime e que isso será determinante para a juíza Mônica Perri, que conduz o julgamento, absolver o réu.

“A questão do Arcanjo não é processual, é um mito que se criou durante os 12 anos em que está preso, de que ele fez e aconteceu e mandou isso, aquilo e aquilo outro. Este é grande trabalho da defesa: mostrar realmente quem é o homem e apontar isso nos autos”, disse o advogado.

 

Até o fechamento desta matéria, a juíza ainda estava ouvindo testemunhas de acusação. Na sequência teria ainda que ouvir as de defesa e só depois interrogaria o réu. Para finalizar, faltaria ainda a argumentação da defesa e do Ministério Público. A Juíza afirmou que levará o julgamento ao máximo, pois sua intenção é que a sentença de Arcanjo seja determinada ainda nesta quinta.

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