Edson Rodrigues/ Assessoria TJMT

"Eu vou lhe trazer um jornal para lhe dar a notícia do homicídio e realmente ele me levou o jornal lá na prisão logo após o assassinato”.
RAFAEL SOUSA
DA REPORTAGEM
A segunda testemunha de acusação, no julgamento do ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro que acontece desde a manhã desta quinta-feira (10), Ronaldo Sérgio Loureiro – que esteve preso até 2006 pelo crime de latrocínio (roubo seguido de morte) - foi enfático em dizer que à época em que Júlio Bachs estava preso na mesma cela em que ele, o confidenciou que mataria o empresário Rivelino Jacques Brunini e o Sargento Jesus assim que deixasse a prisão. A morte teria sido encomendada pelo o ex-comendador, quem ele chamava de “papai do céu”. Brunini, Jesus e Jaudy estariam 'atravessando' os negócios do bricheiro, na época.
“O ‘papai do céu’ mandou matar. Eu vou lhe trazer um jornal para lhe dar a notícia do homicídio. E, realmente, ele me levou o jornal lá na prisão logo após o assassinato”, contou a testemunha.
Segundo o depoente, o motivo da morte seria uma gravação, em fita, que revelava uma trama do capanga de Arcanjo para matar Rivelino e que estava em posse do sargento Jesus. “O ‘papai do céu’ mandou matar. Eu vou lhe trazer um jornal para lhe dar a notícia do homicídio. E, realmente, ele me levou o jornal lá na prisão logo após o assassinato”, contou a testemunha.
Segundo Roberto, eles permaneceram 20 dias presos em uma cela na Polinter, período em que Júlio revelou alguns crimes cometidos a mando do ex-bicheiro. “Não sei por que ele me contou isso, talvez tenha sido carência. O que as pessoas negam aqui [no julgamento] lá dentro [presídios] eles confessam os crimes” argumentou.
O ex-policial militar Célio Alves, 49 anos, e o 'ex-braço direito' do ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro, o uruguaio Júlio Bachs Mayadao, 65 anos, já foram condenados pelo Tribunal do Júri, do Fórum Criminal de Cuiabá, pela morte dos empresários e radialistas Rivelino Brunini e Fauze Rachid Jaudy, bem como pela tentativa de homicídio contra o pintor Gisleno Fernandes.
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Rivelino Brunini foi morto em plena luz do dia na Avenida do CPA
Os jurados chegaram ao veredito no dia 31 de julho, após 20 horas de intenso debate. Célio Alves foi condenado a 46 anos e 10 meses de reclusão em regime fechado enquanto Júlio Bachs teve sentença de 41 anos, em regime inicialmente fechado.
Os crimes ocorreram na tarde do dia 6 de junho de 2002, em uma oficina mecânica localizada na Avenida Historiador Rubens de Mendonça (CPA), região central da capital. As investigações do Ministério Público Estadual (MPE) apontaram que apenas Brunini era o alvo, por estar ameaçando os negócios ilegais dos caça-níqueis de Arcanjo Ribeiro na região, fazendo concorrência, mas por engano, Jaudy teria morrido e Fernandes, sido atingido.
Clique aqui e saiba como foi o depoimento da irmã de Rivelino assassinado a mando de Arcanjo. Veja no vídeo parte do depoimento:













