VANESSA MORENO
Luci Vânia Conci, empresária do ramo supermercadista de Sapezal (a 510 km de Cuiabá), decidiu se manifestar publicamente após a divulgação de um áudio atribuído ao deputado estadual e candidato à reeleição Chico Guarnieri (PSDB), no qual ele aparece proferindo xingamentos e ameaças contra ela em uma ligação telefônica. (Ouça o áudio no final da matéria).
Em um vídeo publicado nas redes sociais nessa sexta-feira (18), Luci contou o que teria provocado o contato do parlamentar e chorou ao relatar as ofensas que recebeu. A Justiça já determinou medidas protetivas de urgência contra Guarnieri em favor dela.
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No vídeo, Luci afirmou que tudo começou após uma conversa com um vereador que, segundo ela, já foi prestador de serviços para sua empresa e recebeu apoio dela e da família durante a campanha eleitoral. Ela contou que pediu apoio do vereador para outro candidato, mas ouviu dele que apoiaria Chico Guarnieri.
A empresária disse que não conhecia o parlamentar.
“A nossa conversa se encerrou ali. Eu nunca falei mal dele e eu nunca vi esse candidato e eu não conheço esse candidato”, afirmou Luci.
Segundo a empresária, por volta das 20h30 do dia 1º de setembro, ela recebeu uma primeira ligação de Guarnieri, com duração de aproximadamente dois minutos. Como o número não estava identificado e ela não tinha o telefone do deputado, disse ter encerrado a chamada.
Na sequência, de acordo com Luci, Guarnieri teria ligado novamente, dessa vez permanecendo por cerca de quatro minutos. Ela afirmou que, durante a conversa, o parlamentar passou a fazer acusações e ataques pessoais.
“Eu nunca me senti tão humilhada na minha vida. Porque nem meu pai, nem meu ex-marido, ninguém fez isso comigo. Falar o que o Chico falou pra mim”, declarou.
Guarnieri teria alegado que Luci reuniu funcionários para falar contra ele, o que foi negado pela empresária. Ela explicou que conversou apenas com um funcionário que conhece Guarnieri da época em que ele foi vereador de Barra do Bugres.
A empresária disse ainda que o deputado a chamou de ladra e rebateu a acusação falando sobre sua trajetória profissional.
“Eu saí de casa com sete anos de idade pra trabalhar. Tudo que eu tenho hoje, eu conquistei com o meu trabalho, com o meu suor. E nunca tirei nada de ninguém”, disse.
Luci também afirmou que seu estabelecimento gera mais de 300 empregos em Sapezal.
“São 300 famílias que trabalham comigo, que tiram sustento de dentro do meu estabelecimento”, declarou.
Ao comentar a repercussão do áudio, a empresária disse ter ficado indignada com pessoas que afirmaram nas redes sociais que a gravação seria produzida por inteligência artificial.
Luci também associou os ataques à condição de mulher. “Me humilhar, me diminuir, justamente por eu ser uma mulher. Se fosse um homem, ele nunca faria isso”, declarou.
Ao final, informou que as medidas previstas pela Justiça já foram tomadas e disse esperar que situação semelhante não volte a ocorrer.
Medidas protetivas
As medidas protetivas contra Chico Guarnieri foram determinadas pelo juiz Luiz Guilherme Carvalho Guimarães, da 1ª Vara de Sapezal, em decisão de 8 de setembro, com fundamento na Lei Maria da Penha.
A decisão proibiu o deputado de se aproximar da empresária, de seus familiares e de testemunhas a menos de 100 metros. Também foi proibido qualquer contato com Luci por telefone, aplicativos, redes sociais ou outros meios de comunicação, além da frequência à residência, à empresa ou a outros locais habitualmente frequentados por ela.
As ligações dos deputado foram gravadas pela empresária.
No áudio divulgado anteriormente pelo RepórterMT, Guarnieri aparece chamando Luci de “pilantra”, “vagabunda”, “safada”, “ladrona”, “mentirosa” e “biscate”, além de fazer comentários de cunho sexual sobre ela.
Após ser questionado se estava ameaçando a empresária, o deputado respondeu: “Estou ameaçando! Pilantra! Safada! Grava aí!”.
O deputado também teria dito que iria até a empresa da empresária e encerrou a conversa com a frase: “Doido, né? Você vai ver o doido”.
Ao analisar o pedido de proteção, o juiz considerou que as gravações, a identificação do interlocutor e as declarações feitas durante as chamadas eram elementos suficientes para demonstrar a necessidade de proteção da empresária.
O magistrado também apontou que, embora a origem do desentendimento estivesse relacionada a uma questão política, os ataques teriam assumido conteúdo de violência de gênero, com referências à sexualidade e à condição de mulher da empresária.
Chico Guarnieri assumiu uma cadeira na Assembleia Legislativa de Mato Grosso após a renúncia de Cláudio Ferreira (PL), eleito prefeito de Rondonópolis. Ele era filiado ao PRD e migrou para o PSDB durante a janela partidária para disputar a reeleição.
Ouça o áudio:















