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O ex-prefeito de Pontes e Lacerda e candidato a deputado estadual, Alcino Barcelos (PL), é alvo do MP por suspeitas de irregularidades em contratos firmados pela Prefeitura
VANESSA MORENO
DO REPÓRTERMT
O patrimônio declarado à Justiça Eleitoral pelo ex-prefeito de Pontes e Lacerda (a 444 km de Cuiabá) e candidato a deputado estadual, Alcino Pereira Barcelos (PL), apresentou aumento expressivo entre as declarações de bens registradas em 2016, 2020 e 2026. Os valores informados mostram que o total passou de R$ 1,8 milhão em 2016 para R$ 19,2 milhões em 2026, uma diferença de R$ 17,3 milhões.
A evolução patrimonial ocorre no mesmo período em que o ex-prefeito passou a ser alvo de uma investigação do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). Nesta sexta-feira (25), o Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco) cumpriu 12 ordens judiciais em Pontes e Lacerda para apurar suspeitas relacionadas a contratos firmados pela Prefeitura entre 2017 e 2024.
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A investigação apura possíveis crimes de fraude em licitações, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
De acordo com a declaração apresentada em 2016, quando foi eleito prefeito de Pontes e Lacerda pela primeira vez, Barcelos informou possuir R$ 1.859.000,00 em bens.
Entre os principais itens estavam uma propriedade rural na Serra da Borda, avaliada em R$ 400 mil; uma propriedade rural na Gleba Antonieta, de R$ 500 mil; dois terrenos em Pontes e Lacerda, avaliados em R$ 60 mil; duas caminhonetes Toyota Hilux, declaradas por R$ 60 mil e R$ 100 mil; além de R$ 489 mil em semoventes e R$ 250 mil em dinheiro em espécie.
Em 2020, ano em que foi reeleito, o patrimônio declarado passou para R$ 2.415.000,00.
Naquele ano, os bens incluíam uma propriedade rural de 725 hectares, avaliada em R$ 1 milhão, dois terrenos no valor de R$ 300 mil, uma Chevrolet S10 de R$ 100 mil, R$ 15 mil em dinheiro e R$ 1 milhão em semoventes.
Já na declaração de 2026, o total informado chegou a R$ 19.230.000,00. O crescimento foi de aproximadamente R$ 556 mil entre 2016 e 2020 e de R$ 16,815 milhões entre 2020 e 2026. Considerando apenas os valores declarados, o patrimônio informado em 2026 é cerca de 10,3 vezes maior que o declarado dez anos antes.
Entre os bens declarados neste ano estão uma fazenda de 725 hectares, na Gleba Ritinha, em Vila Bela da Santíssima Trindade, avaliada em R$ 8 milhões, e uma propriedade rural de 80 hectares na Gleba Scatolin, avaliada em R$ 4 milhões.
Também aparece um imóvel rural de 261 hectares na Gleba Antonieta, em processo de aquisição, cujo negócio foi declarado pelo valor total de R$ 7 milhões, com R$ 3,13 milhões já pagos.
A lista inclui ainda R$ 1,5 milhão em semoventes, uma casa em Pontes e Lacerda avaliada em R$ 500 mil, um terreno às margens da BR-174 de R$ 500 mil, dois terrenos urbanos de R$ 150 mil cada, uma caminhonete S10 de 2021 avaliada em R$ 150 mil, outra S10 de 2016 avaliada em R$ 80 mil e R$ 220 mil em saldo de conta no Sicredi.
Operação do MP
A operação deflagrada nesta sexta-feira pelo Naco investiga supostas irregularidades em contratos firmados pela Prefeitura de Pontes e Lacerda entre 2017 e 2024.
Segundo as informações divulgadas sobre a investigação, foram identificados sete contratos entre a administração municipal e a empresa Concretubos Pré-Moldados Ltda. Cinco deles foram celebrados entre 2022 e 2023 e somaram aproximadamente R$ 4,7 milhões. Com atualização monetária, o montante chega a cerca de R$ 5,78 milhões.
O Ministério Público também aponta a existência de possíveis vínculos familiares, empresariais e funcionais entre agentes públicos e pessoas ligadas às empresas envolvidas. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) teriam identificado movimentações financeiras consideradas suspeitas pela investigação.
Outro ponto citado na investigação é a compra da propriedade rural Estância Rancho Fundo I por Alcino Barcelos.
Segundo a apuração divulgada nesta sexta-feira, a negociação previa pagamento mediante a entrega de 100 cabeças de gado da raça Nelore. Os investigadores afirmam que não encontraram registros oficiais de movimentação pecuária que fossem compatíveis com a transação.
As medidas autorizadas pela Justiça incluem buscas e apreensões, acesso a dados telemáticos, quebra de sigilos bancário, fiscal e financeiro e indisponibilidade de bens, direitos e valores. A ação conta com apoio da Polícia Civil e da Controladoria-Geral do Estado.
Outro lado
Nas redes sociais, Alcino Barcelos negou irregularidades e levantou suspeitas sobre a operação do Ministério Público, realizada a nove dias da eleição. Segundo ele, seu nome figura entre os nomes mais pontuados nas pesquisas de intenção de votos para deputado estadual.
Ele classificou a ação como injustiça e comparou a atuação do MP contra ele com a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em relação à apreensão de dinheiro em sua casa, ele alega que o dinheiro não estava escondido e que não é sujo.
Por fim, disse sentir pena da empresa Concretubos, que, segundo ele, é pequena e sempre participou de pregão, modalidade de licitação.














