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26 de Novembro de 2016, 07h:35 - A | A

GERAL / VEJA ANTES E DEPOIS

Auditoria mostra caos em tratamento de água antes da interdição da CAB

A água que chegava às torneiras dos cuiabanos era tratada em "tanques" imundos, reservatórios estavam enferrujados, trabalhadores não tinham condições de higiene, entre uma séria de outros problemas.

CELLY SILVA
DA REDAÇÃO



Água "tratada" em tanques de barro, reservatórios de água totalmente sucateados, enferrujados e até rompidos, funcionários que não tinham sequer onde tomar banho de forma digna, filtros de tratamento obsoletos, obras paradas, contas atrasadas (sendo R$ 10 milhões somente com a Energisa) e - o pior- negando abastecimento de água até mesmo para a obra do novo Pronto Socorro de Cuiabá.

“Esse tanque desabou. Ele estava todo enferrujado. A água caía dentro desse tanque e depois era distribuída para a população de Cuiabá. Hoje, nós estamos com um tanque de reserva de 300 mil litros recém-construído, entregue e já em operação”, disse Marcelo de Oliveira sobre o reservatório de água do bairro Coophema.

Foi nesse estado caótico, sob o comando da Companhia Águas do Brasil - CAB Ambiental, desde 2012, que o serviço de abastecimento de água e tratamento de esgoto de Cuiabá foi encontrado pela equipe da Prefeitura, que interviu na direção da empresa após o Grupo Galvão, detentor da concessão, entrar em recuperação judicial.

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Os últimos seis meses de gestão da CAB Cuiabá, que ocorreram sob a intervenção do Município, por meio do secretário Marcelo de Oliveira, foram alvo de uma auditoria realizada pela multinacional KPMG, uma das quatro maiores empresas de auditoria do mundo.

O relatório da consultora demonstrou que “após a decretação de intervenção, a empresa vem tomando medidas que estão refletindo na redução de despesas, aumento do faturamento e arrecadação, combate ao desperdício e inadimplência”. Tais condutas geraram melhorias nas Estações de Tratamento de Água (ETA’s) e realização de obras emergenciais no sistema de água.

O resultado mostrou que em seis meses de intervenção, a gestão pública conseguiu realizar melhorias que em quase cinco anos o Grupo Galvão não fez. Como exemplo disso, estão as obras de execução do reservatório de 300 mil litros no bairro Coophema, do sistema de contralavagem dos filtros da Estação de Tratamento de Água (ETA) do bairro Ribeirão do Lipa (o que representou uma economia de água em 18%), a padronização do abastecimento de água em mais de 5,8 mil casas em seis bairros e a distribuição de água aumentou 20 mil metros em diversos bairros.

“Esse tanque desabou. Ele estava todo enferrujado. A água caía dentro desse tanque e depois era distribuída para a população de Cuiabá. Hoje, nós estamos com um tanque de reserva de 300 mil litros recém-construído, entregue e já em operação”, disse Marcelo de Oliveira sobre o reservatório de água do bairro Coophema.

Divulgação

reservatório coophema

 Reservatório do bairro Coophema. 

 

Ainda houve a implantação da nova ETA no Ribeirão do Lipa, com vasão de 200 litros por segundo, de dois novos reservatório de água, sendo um com capacidade de 4 milhões de litros no Altos do Ribeirão e outro de 1,9 milhão de litros no Bom Clima, uma adutora da água tratada, além das instalações das novas Estações de Tratamento de Esgoto (ETE) nos bairros Tijucal e Vila Real.

Divulgação

RAP Altos do Ribeirão

 Reservatório no Altos do Ribeirão 

 

A intervenção municipal também realizou as reformas da Casa de Química e do tanque de sulfato da ETA Parque Cuiabá, que antes se encontrava em estado caótico e totalmente insalubre, demonstrando o motivo pelo qual a água na Capital é de tão péssima qualidade. Os filtros da ETA São Sebastião e Presidente Marques também foram trocados e a ETE do Vila Real também foi reformada.

Divulgação

eta parque cuiabá antes

Tanque de sulfato da ETA Parque Cuiabá, onde era feito parte do processo de tratamento da água, antes de chegar às torneiras.

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eta parque cuiabá depois

 Tanque de sulfato da ETA Parque Cuiabá, após intervenção da Prefeitura, foi reconstruído em aço inox. 

Divulgação

ETE tijucal antes

 Estação de Tratamento de Água (ETE) do Tijucal antes da intervenção municipal. 

Divulgação

ETE tijucal depois

 ETE Tijucal após a intervenção da Prefeitura. 

 

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Até mesmo as condições de trabalho oferecidas aos funcionáiros eram precárias. Não havia condições sequer de higiene. 

 

Números

De acordo com o relatório apresentado pelo interventor da CAB, Marcelo de Oliveira, no período entre janeiro a abril deste ano, a CAB possuía um déficit de quase R$ 11 milhões entre o que era faturado e o que era efetivamente arrecadado com as contas de água. Após a intervenção, em seis meses, esse prejuízo baixou para cerca de R$ 6 milhões.

A arrecadação no terceiro trimestre deste ano representou um acréscimo de 13,17% em relação ao mesmo período do ano passado. Em valores, isso representa um incremento de R$ 5.7 milhões à companhia. De acordo com o relatório da KPMG, esse desempenho é “reflexo das medidas adotadas desde o início da intervenção”, o que contribuiu, inclusive, para o resultado da maior acionista do grupo, a CAB Ambiental.

Apesar dos resultados positivos, o prefeito Mauro Mendes (PSB) ainda não decidiu se municipaliza de vez o serviço ou se muda a direção da empresa, repassando a concessão para um novo grupo investidor, que tenha capacidade de fazer os investimentos necessários, que demandam cerca de R$ 1,4 bilhão.

A receita operacional líquida da empresa também foi afetada de forma positiva com a intervenção do Executivo municipal. Houve aumento de R$ 30,5 milhões na receita (27,5%), no terceiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado.

Segundo o relatório de auditoria, esse dado é resultado das receitas de saneamento - que aumentou 10% ou R$ 8,3 milhões - e de construção, que cresceu 164,8% ou R$ 17,9 milhões, sendo estes números relativos ao período de julho a setembro deste ano comparado ao mesmo período de 2015.

Ainda neste período avaliado, o lucro bruto da CAB Cuiabá aumentou 24,7%. Em valores, passou de R$ 56,6 milhões para R$ 70,6 milhões.

O prejuízo do imposto de renda e contribuição social da empresa teve queda de R$ 4,3 milhões, passando de R$ 8,2 milhões para R$ 3,9 milhões.

“Houve crescimento. Nós assumimos a empresa e ela estava arrecadando em torno de R$ 13 milhões e teve um incremento, hoje ela está arrecadando em torno de R$ 16,3 milhões por mês. Isso foi muito bom”, ressaltou Marcelo de Oliveira.

Apesar dos resultados positivos, o prefeito Mauro Mendes (PSB) ainda não decidiu se municipaliza de vez o serviço ou se muda a direção da empresa, repassando a concessão para um novo grupo investidor, que tenha capacidade de fazer os investimentos necessários, que demandam cerca de R$ 1,4 bilhão.

Por causa da falta desse dinheiro é que o prefeito diz preferir repassar o serviço para uma nova empresa, pois a Prefeitura é capaz de manter o abastecimento de água, mas não tem condições de arcar com os custos da universalização da água e do esgoto na capital. 

Leia mais:

Mauro Mendes pode "remunicipalizar" serviço de água e esgoto na Capital

 

Comente esta notícia

Galileu 27/11/2016

Todos nós estamos igualmente aborrecidos com a CAB. Os ex dirigentes da CAB estão em Paris Bruxelas e Nova York, em ferias pois com o merecido salário de 750.000,00 por mes não tem o que preocupar.Pior é que ainda tem tem gestores remanescente da CAB comandando o saneamento em Cuiabá. É hora de mudança.

Cpa 26/11/2016

Então está comprovado .bem público bem administrado jamais da prejuízo. Segundo intervenção até lucro a empresa teve .políticos que é a favor de privatizar e sinal que vsi ter uma fatia pra ele.

2 comentários

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