DANIELE BARRETO
* Reflexão
"E para que me credencie a defender a minha verdade, começo por manifestar a humildade de saber que existem outras verdades e que elas são tão sustentáveis quanto às minhas e que a única razão pela qual um homem, um democrata passa a ter o direito de defender a sua verdade é exatamente o respeito que ele manifesta pela alheia." Mário Covas
Resumo Político de 2011:
* “Governabilidade”: a estrela do ano...
2011 acabou... E levou consigo: marcos históricos; escândalos palacianos e novas configurações no cenário político nacional. Iniciamos com a euforia da primeira mulher presidente – mulher, diga-se, que militou bravamente em movimentos revolucionários e viu-se catapultada à Presidência da República pela popularidade e empatia do antecessor. Dilma, certamente, abre caminho para um país mais democrático, igualitário e que respeita a pujante conquista feminina em praticamente todas as áreas profissionais.
Mas, após 12 meses, voltamos os olhos ao passado e não muito conseguimos lembrar além de: uma enxurrada de escândalos; a exposição de tradicionais procedimentos nada republicanos orquestrados com a complacência do Planalto (ex.: desvios de dinheiro utilizando organizações não governamenais; mistura do patrimônio público e o privado em consultorias expúrias); o crescente aparelhamento do Estado com milhares de cargos trocados por apoio de congressistas; quedas de ministros envolvidos com suspeitas de desvios de dinheiro público (que JAMAIS será devolvido)...
Essa turma que está sendo afastada mandou e desmandou no governo anterior - sob o olhar ambicioso de muitos que hoje posam de 'faxineiros', mais são, na verdade, protetores (e protegidos)!!! E seus 'malfeitos' descobertos foram realizados, em boa parte, nos últimos 8 anos - quando os 'malfeitores' agiram livremente e o Governo silenciou por se julgar sob a égide da dita governabilidade.
Dilma deveria agradecer ao ex-presidente não só por ter deixado de herança as alianças com velhos coronéis, mas também pela busca incessante – e insensata – pela tal governabilidade!
É ponto pacífico que todo governo precisa de uma base aliada forte, mas Lula buscou mais. O petista queria a “unanimidade”, não se contentava com nada menos do que isso. Bajuladores e corruptos de toda espécie encontraram largo espaço em seu governo... Afinal, orgulhoso, o presidente queria ostentar todo e qualquer prêmio de mérito estatístico: maior bancada, maior apoio, maior popularidade, maior liderança internacional, maior votação popular... Não por menos, “nunca antes” tornou-se sua marca e expressão recorrente.
Para tanto: a publicidade oficial maquiou números; o Estado cresceu estratosfericamente, com o aparelhamento; os noticiários pouco revelaram sobre os verdadeiros acordos internacionais que garantiam o seu prestígio no exterior; a cúpula do governo foi permissiva com parlamentares que necessitavam de dinheiro para manter suas bases e promover suas milionárias campanhas; e centenas e centenas de políticos viram a chance de “agir” livremente (apoiados por quem deles apenas exigia sustentáculo).
E lá se foi Lula... Ostentando seus altos índices de popularidade, baseados grandemente pelo fato do governo sucumbir aos desejos dos caudilhos - importantes na realização de acordos locais que garantiam o apoio dos prefeitos ávidos por emendas, obras (ah, as tais licitações...). Assim, criou-se a farsa de que “governabilidade” se conquista a qualquer custo! E Dilma herdou esse vulcão prestes a entrar em erupção – vulcão que já derramou larvas em 2011, mas não mostrou, ainda, a sua força destruidora!
A Presidente, que por vezes pareceu impávida, informou, quando pressionada, que "combate à corrupção não é meta do governo" e, em seguida, soltou uma daquelas mirabolantes estratégias retóricas para disfarçar a omissão e não perder o apoio da população menos favorecida: "Faxina, no meu governo, é faxina contra a pobreza."
E fez mais... Ou menos... Dependendo do ponto de vista! Numa subliminar defesa aos acusados, disse que se deve "respeito à dignidade das pessoas" e citou o princípio da "presunção da inocência". Com 'dignidade das pessoas' referia-se aos acusados de desvios de dinheiro público (muitos pegos em grampos telefônicos) e não aos pobres que não vêem atendidos os seus direitos fundamentais - justamente por faltar aos cofres públicos os valores roubados...
Está bom, Dilma! Em 2011 o Planalto deu mais uma lição nos brasileiros: ensinou como funciona esse lance de "governabilidade"!!!












