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Cuiabá, 02 de Junho de 2026
02 de Junho de 2026

30 de Dezembro de 2011, 10h:48 - A | A

POLÍTICA / POLÍTICA À FLOR DA PELE

“Governabilidade”: a estrela do ano

DANIELE BARRETO



* Reflexão

 

"E para que me credencie a defender a minha verdade, começo por manifestar a humildade de saber que existem outras verdades e que elas são tão sustentáveis quanto às minhas e que a única razão pela qual um homem, um democrata passa a ter o direito de defender a sua verdade é exatamente o respeito que ele manifesta pela alheia." Mário Covas

 

Resumo Político de 2011:

 

* “Governabilidade”: a estrela do ano...

 

2011 acabou... E levou consigo: marcos históricos; escândalos palacianos e novas configurações no cenário político nacional. Iniciamos com a euforia da primeira mulher presidente – mulher, diga-se, que militou bravamente em movimentos revolucionários e viu-se catapultada à Presidência da República pela popularidade e empatia do antecessor. Dilma, certamente, abre caminho para um país mais democrático, igualitário e que respeita a pujante conquista feminina em praticamente todas as áreas profissionais.
 

Mas, após 12 meses, voltamos os olhos ao passado e não muito conseguimos lembrar além de: uma enxurrada de escândalos; a exposição de tradicionais procedimentos nada republicanos orquestrados com a complacência do Planalto (ex.: desvios de dinheiro utilizando organizações não governamenais; mistura do patrimônio público e o privado em consultorias expúrias); o crescente aparelhamento do Estado com milhares de cargos trocados por apoio de congressistas; quedas de ministros envolvidos com suspeitas de desvios de dinheiro público (que JAMAIS será devolvido)...
 

Envolta em centenas de compromissos políticos - em nome da governabilidade -, Dilma deu sinais, durante todo o ano, de que nada (ou muito pouco) pode fazer quanto às recentes descobertas de desvios de dinheiro público. Desvios esses promovidos por companheiros do governo anterior, com os quais lidou intimamente durante longos anos. Não acredito que 2011 tenha trazido para Dilma nenhuma novidade no tocante aos ministros afastados: ela já possuía larga convivência com os políticos defenestrados em seu governo e sabia quem era cada um deles!!! E o preço que cobravam para apoiar o governo...

 
Vejamos: quem mandou mais no governo Lula do que os ministros recém-tombados? Quando ocorreram os fatos que são denunciados no Ministério do Esporte, Cidade e Trabalho? Quando se deram os convênios hoje investigados pela Polícia Federal e TCU? Quando houve o favorecimento financeiro e os desvios de milhões? Tudo no Governo anterior - que permanece intocável graças aos seus (dizem...) cerca de 80% de popularidade!!! É absolutamente equivocado e manipulador o fato de parcela (maioria quase unânime) da imprensa não colocar a conta dos 'recentes corruptos afastados' no Governo Lula. Aliás, governo no qual Dilma era grande articuladora, ao lado de Dirceu e Palocci; não por menos, ocupou a Casa Civil após o afastamento do número 1 petista.


Essa turma que está sendo afastada mandou e desmandou no governo anterior - sob o olhar ambicioso de muitos que hoje posam de 'faxineiros', mais são, na verdade, protetores (e protegidos)!!! E seus 'malfeitos' descobertos foram realizados, em boa parte, nos últimos 8 anos - quando os 'malfeitores' agiram livremente e o Governo silenciou por se julgar sob a égide da dita governabilidade.
Dilma deveria agradecer ao ex-presidente não só por ter deixado de herança as alianças com velhos coronéis, mas também pela busca incessante – e insensata – pela tal governabilidade!
 

É ponto pacífico que todo governo precisa de uma base aliada forte, mas Lula buscou mais. O petista queria a “unanimidade”, não se contentava com nada menos do que isso. Bajuladores e corruptos de toda espécie encontraram largo espaço em seu governo... Afinal, orgulhoso, o presidente queria ostentar todo e qualquer prêmio de mérito estatístico: maior bancada, maior apoio, maior popularidade, maior liderança internacional, maior votação popular... Não por menos, “nunca antes” tornou-se sua marca e expressão recorrente.
 

Para tanto: a publicidade oficial maquiou números; o Estado cresceu estratosfericamente, com o aparelhamento; os noticiários pouco revelaram sobre os verdadeiros acordos internacionais que garantiam o seu prestígio no exterior; a cúpula do governo foi permissiva com parlamentares que necessitavam de dinheiro para manter suas bases e promover suas milionárias campanhas; e centenas e centenas de políticos viram a chance de “agir” livremente (apoiados por quem deles apenas exigia sustentáculo).
 

E lá se foi Lula... Ostentando seus altos índices de popularidade, baseados grandemente pelo fato do governo sucumbir aos desejos dos caudilhos - importantes na realização de acordos locais que garantiam o apoio dos prefeitos ávidos por emendas, obras (ah, as tais licitações...). Assim, criou-se a farsa de que “governabilidade” se conquista a qualquer custo! E Dilma herdou esse vulcão prestes a entrar em erupção – vulcão que já derramou larvas em 2011, mas não mostrou, ainda, a sua força destruidora!
 

A Presidente, que por vezes pareceu impávida, informou, quando pressionada, que "combate à corrupção não é meta do governo" e, em seguida, soltou uma daquelas mirabolantes estratégias retóricas para disfarçar a omissão e não perder o apoio da população menos favorecida: "Faxina, no meu governo, é faxina contra a pobreza."
 

E fez mais... Ou menos... Dependendo do ponto de vista! Numa subliminar defesa aos acusados, disse que se deve "respeito à dignidade das pessoas" e citou o princípio da "presunção da inocência". Com 'dignidade das pessoas' referia-se aos acusados de desvios de dinheiro público (muitos pegos em grampos telefônicos) e não aos pobres que não vêem atendidos os seus direitos fundamentais - justamente por faltar aos cofres públicos os valores roubados...
 

Está bom, Dilma! Em 2011 o Planalto deu mais uma lição nos brasileiros: ensinou como funciona esse lance de "governabilidade"!!!

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