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04 de Janeiro de 2015, 09h:02 - A | A

POLÍTICA / HERANÇA DE ROSELI BARBOSA

Titular da Setas avalia extinção do 'Panela Cheia' e promete devassa na secretaria

“Nossa gestão vai ‘abrir as portas e janelas’ para que qualquer suspeita seja levantada e qualquer investigação seja feita”, disse Valdiney.

ANA ADÉLIA JÁCOMO
DA REDAÇÃO



O programa estadual “Panela Cheia”, que fornece de R$ 10 a R$ 280 para famílias de baixa renda, pode estar com os dias contados. O novo titular da Secretaria de Estado de Trabalho e Assistência Social (Setas-MT), Valdiney Arruda afirmou que o benefício pode ser extinto.

De acordo com o novo secretário, o programa concorre com o projeto federal “Bolsa Família”, além disso, para manter a proposta, Mato Grosso precisaria aumentar a arrecadação com mais impostos, já que a máquina passa por cortes para enfrentar a crise financeira prevista para 2015. O Panela Cheia atende os 141 municípios do Estado. O investimento mensal é de mais de R$ 1 milhão. 

“O ‘Panela Cheia’ é uma medida que precisa se estudar bastante. É a contento? Já está bem direcionado pelos programas federais [como o Bolsa Família]? É preciso outro programa concorrente? Porque para manter o programa precisa de recursos, e para ter recursos precisa aumentar impostos”, afirmou Valdiney.

O secretário não forneceu uma data para a extinção do programa, e afirmou que irá realizar um amplo levantamento e um diálogo aberto com a sociedade antes de tomar qualquer decisão.

O “Panela Cheia” é integrado com o Bolsa Família. Devem receber esse benefício as famílias Cadastradas no Cadastro Único do Governo Federal e beneficiárias do Programa Bolsa Família, com crianças de 0 a 6 anos de idade, cuja renda familiar per capita, mesmo após o recebimento do Benefício Federal, continua abaixo de R$ 80,00.

CAÇA ÀS BRUXAS

Valdiney afirmou que sua gestão à frente da Setas vai começar com um amplo levantamento dos contratos firmados na gestão do governador Silval Barbosa (PMDB), e com o encaminhamento de qualquer suspeita de irregularidade ao Ministério Público Estadual (MPE). Ele tem um prazo contratual de 100 dias para apresentar os resultados a Pedro Taques.

Nossa gestão vai ‘abrir as portas e janelas’ para que qualquer suspeita seja levantada e qualquer investigação seja feita.

A pasta é investigada por suposto desvio de recursos, que vem sendo investigado pelo MPE, por meio da Operação Arqueiro, da Gerência de Combate do Crime Organizado (Gaeco). O secretário Jean Estevan Campos Oliveira, a primeira-dama e ex-titular da Setas, Roseli Barbosa, e outras 30 pessoas foram denunciadas por desvio de R$ 8 milhões. De acordo com Valdiney, a Setas será “passada a limpo”.

“É preciso dizer o seguinte: vamos ‘passar a limpo’. Nossa gestão vai ‘abrir as portas e janelas’ para que qualquer suspeita seja levantada e qualquer investigação seja feita. O princípio do Taques sempre foi combater a corrupção e isso vai ser mantido. É preciso que se diga que estamos assumindo uma gestão que vamos ter que colocar tudo a limpo. Limpar o que precisa ser limpo”, avaliou ele.

PERFIL

O novo secretário é graduado em administração, especialista em políticas públicas e meio ambiente. Trabalhou como auditor fiscal do trabalho no Ministério do Trabalho e Emprego e como superintendente na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego. Foi coordenador de fiscalização rural e combate ao trabalho escravo, e coordenou a criação do Fórum Estadual pela Erradicação ao Trabalho Escravo.

Atualmente, é presidente da Confederação Ibero Americana de Inspetores do Trabalho e da Associação Mato-grossense dos Auditores Fiscais do Trabalho, além de diretor de Relações Internacionais do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho.

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