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21 de Setembro de 2026, 16h:40 - A | A

POLÍTICA / APÓS ÁUDIO VAZADO

"STF não comete crimes, pessoas cometem", diz Medeiros ao rebater polêmica e negar contradição

Após poupar Gilmar Mendes em conversa, deputado bolsonarista nega incoerência e cita pedidos de impeachment

Divulgação

Aposta de Flávio Bolsonaro no estado justifica gravação, rejeita acusações de contradição e afirma que "instituição não comete crimes, pessoas cometem".

Aposta de Flávio Bolsonaro no estado justifica gravação, rejeita acusações de contradição e afirma que "instituição não comete crimes, pessoas cometem".

ANA ADÉLIA JÁCOMO
DO REPÓRTERMT



Após repercussão de um áudio enviado ao prefeito de Diamantino, Chico Mendes (União Brasil), irmão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes, ressaltando que não ataca a Corte, o deputado federal e candidato ao Senado José Medeiros (PL) justificou seu posicionamento ao .

Ele rebateu interpretações de que haveria contradição em sua postura e enfatizou que suas críticas sempre foram direcionadas a condutas individuais de magistrados, e nunca à Suprema Corte enquanto instituição.

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 "O contexto é que a instituição não comete crimes, pessoas cometem crimes. Já entrei com impeachment de Flávio Dino, Alexandre [de Moraes], [Luís Roberto] Barroso, Edson Fachin... As críticas sempre faço a pessoas, não à instituição", frisou ao portal.

Medeiros também negou que sua fala denote qualquer incoerência em sua trajetória político-ideológica, pontuando que a separação entre o respeito institucional e a conduta de ministros deveria ser compreendida. "Não acho contraditório condenar condutas de ministros criminosos e respeitar a instituição STF. Achei que isso fosse óbvio, mas para candidatos com a bússola moral avariada, vale tentar achar crime onde não tem", alfinetou.

A repercussão do caso decorre principalmente do perfil ideológico de José Medeiros, conhecido por ser um dos principais bolsonaristas em Mato Grosso e a aposta direta do senador Flávio Bolsonaro para a disputa ao Senado no estado, o que gerou estranheza entre eleitores e aliados devido ao histórico de discursos públicos extremamente ácidos, severos e frequentes contra o Supremo Tribunal Federal e seus magistrados.

O áudio

O episódio ganhou repercussão após a circulação de uma mensagem de áudio enviada pelo parlamentar ao prefeito. Na gravação, Medeiros comentava estratégias de campanha e ponderava sobre a separação entre o respeito institucional e a fiscalização dos ministros.

Uma coisa que eu tenho feito: por exemplo, eu não ataco o STF, viu, Chico. Meu marketing aqui tinha feito um negócio, eu falei: olha, quero que corte tudo. Eu não leio um texto para gravação que tenha qualquer coisa mencionando o STF. Se vocês pedirem para eu esculhambar com Alexandre de Moraes, pode me ligar até no meio da noite, que eu faço isso. Mas não me peça para falar de outros ministros e tal. Só para dizer que nunca mencionei o nome do ministro Gilmar. Já fui até criticado por isso e falei: não me peçam para fazer isso”.

A matéria continua após o vídeo

Outra polêmica

O vazamento ocorre dias após Medeiros se ver envolvido em outra polêmica. Postagens relembram que em 2019, Medeiros apareceu em vídeo comemorando a eleição de Alcolumbre para a Presidência do Senado, chamou sua vitória de “renovação” e disse que Mato Grosso torcia por ele. Alcolumbre retribuiu. Chamou Medeiros de “irmão”, “amigo de todas as lutas” e afirmou publicamente que o então senador havia ajudado em sua chegada ao comando da Casa.

Agora, em campanha para voltar ao Senado, Medeiros acusa Alcolumbre de falhar no enfrentamento ao STF e afirma que pretende até disputar contra ele a Presidência da Casa. Só que a fala não ficou apenas no vídeo antigo.

Ruth Yamamoto Medeiros, esposa do candidato, é servidora da Prefeitura de Rondonópolis cedida ao Senado desde 2019 e permanece lotada na estrutura da Presidência da Casa, hoje novamente comandada por Alcolumbre.

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