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30 de Outubro de 2026

30 de Outubro de 2026, 13h:08 - A | A

POLÍTICA / OPERAÇÃO TOMADA DE CONTAS

PF apreende 16 armas, 6 mil munições e mais de R$ 600 mil em dinheiro com servidor investigado no TCE-MT

Jocimauro Bento do Carmo foi solto após pagar fiança de R$ 97,2 mil. Entre as armas apreendidas, apenas um revólver estava sem registro

Polícia Federal em Mato Grosso

Polícia Federal apreendeu 16 armas de fogo e munições com servidor do TCE alvo da Operação Tomada de Contas

Polícia Federal apreendeu 16 armas de fogo e munições com servidor do TCE alvo da Operação Tomada de Contas

VANESSA MORENO
DO REPÓRTERMT



As 16 armas de fogo apreendidas pela Polícia Federal na Operação Tomada de Contas, deflagrada nessa quinta-feira (29), estavam em posse do Técnico de Controle Externo, Jocimauro Bento do Carmo. A operação investiga um suposto esquema de irregularidades na gestão de contratos administrativos e pagamentos a servidores e conselheiros do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), que teria sido liderado pelo presidente da Corte, Sérgio Ricardo de Almeida, que foi preso.

Jocimauro foi alvo de um mandado de busca e apreensão e, durante o cumprimento, os agentes federais encontraram 15 armas de fogo no escritório que fica no apartamento dele, um revólver no carro dele e aproximadamente 6 mil munições. Do armamento, 15 armas estavam registradas. Apenas o revólver estava sem registro.

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Além disso, foram apreendidos R$ 600 mil, US$ 25 mil (dólares) e € 10 mil (euros), todos em espécie e acondicionados em cofres, sacolas, mochilas e bolsas. A PF também apreendeu ouro.

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O servidor do TCE  chegou a ser preso em flagrante, mas pagou uma fiança de 60 salários mínimos, equivalente a R$ 97.260,00, e foi liberado.

Ele integra uma comissão permanente presidida pelo conselheiro José Carlos Novelli, que também foi alvo de busca.

De acordo com as investigações da Polícia Federal, Jocimauro foi um dos favorecidos no esquema no TCE. Ele teria sido o destinatário de mais de R$ 3 milhões, dos quais cerca de R$ 1,8 milhão teria sido pago por meio de 32 ordens avulsas por cinco contas de três instituições, tendo sido identificados saques nas datas de 16 e 24 de setembro de 2025 e 1º e 22 de outubro também do ano passado.

A investigação apontou ainda o recebimento de valores relevantes pagos em lotes que reuniam outros investigados.

A PF ressaltou que não há elementos que vinculem Jocimauro à operacionalização dos saques em espécie ou ao transporte de numerários, mas que sua inclusão em lotes específicos de pagamentos e a magnitude dos valores identificados justificam o mandado de busca e apreensão contra ele.

Além da busca, ele foi afastado da função pública e está proibido de entrar no TCE e de manter contato com os demais investigados.

Operação Tomada de Contas

A Operação Tomada de Contas investiga um esquema de desvio de recursos públicos no Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), por meio de contratos administrativos e pagamentos irregulares a conselheiros, servidores e pessoas ligadas ao grupo investigado.

O valor do prejuízo é estimado em R$ 145 milhões. Contudo, o valor total do rombo financeiro ainda não foi completamente identificado.

Segundo a Polícia Federal, o esquema funcionava por meio de portarias que simulavam uma crise orçamentária para justificar a suspensão de contratos, enquanto determinadas empresas continuavam recebendo pagamentos e devolviam parte dos valores aos envolvidos.

Os repasses eram realizados pelo canal destinado aos fornecedores, fora da folha regular do tribunal, e posteriormente convertidos em dinheiro vivo por meio de saques e ordens bancárias avulsas.

Seis pessoas foram presas preventivamente: o presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo de Almeida, apontado como líder do grupo; o consultor jurídico-geral Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, indicado como principal destinatário dos recursos e articulador jurídico e financeiro; o assistente jurídico Gustavo Fernandes da Silva e o assessor jurídico Felipe José Glinke, apontados como operadores financeiros; Roseli Loss, chefe de gabinete de Sérgio Ricardo, identificada como responsável por saques e entregas de dinheiro; e Adriangelo Barros Antunes, secretário executivo de comissão permanente e ex-cunhado do presidente, apontado como responsável pelo transporte de valores em espécie.

A investigação identificou mais de R$ 75 milhões em movimentações nas contas de Sérgio Ricardo e atribuiu recebimentos de R$ 32,3 milhões a Grhegory, R$ 15,8 milhões a Gustavo, R$ 9,9 milhões a Felipe e aproximadamente R$ 2,2 milhões a Adriangelo. Também foram identificados saques de cerca de R$ 3,5 milhões realizados por Roseli.

LEIA MAIS: Decisão do STJ detalha participação de cada investigado em esquema no TCE-MT

Outras 15 pessoas foram alvos de mandados de busca e apreensão: os conselheiros Guilherme Antônio Maluf e José Carlos Novelli; o ex-procurador de Contas e conselheiro Alisson Carvalho de Alencar; o conselheiro aposentado Valter Albano da Silva; o secretário executivo de Orçamento, Finanças e Contabilidade, Maurício Marques Júnior; o técnico de controle público externo, coordenador da execução orçamentária e contador-chefe, Edson Luiz Ribeiro de Oliveira; o auditor público externo e secretário do Sistema de Controle Interno, Carlos Alexandre Pereira; o secretário executivo de Gestão de Pessoas, Eneias Viegas da Silva; o fiscal de tributos cedido ao TCE-MT e secretário executivo de Planejamento, Adjair Roque de Arruda; o assistente técnico-financeiro, Carlos Felipe de Oliveira Almeida; o secretário de Tecnologia da Informação, Olavo Lage Filho; o técnico de controle público externo, Jocimauro Bento do Carmo; o consultor técnico-jurídico comissionado, Carlos Romeu Rodrigues Medeiros; o ex-chefe de gabinete de comissão permanente, Vitor Turri Romano; e o assessor técnico-jurídico, Márcio Antônio Silvério.

Autorizada pelo ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a operação mobilizou mais de 180 policiais federais e cumpriu 26 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.

No balanço final, foram apreendidos pela PF R$ 4.360.607 em espécie, US$ 106.865 (dólares), € 19.870 (euros), £ 2 mil (libras esterlinas) e 3.650 pesos argentinos, além de 27 celulares, 31 veículos, 16 armas de fogo, 6.512 munições, 167 relógios e 112 garrafas de vinho.

Durante o cumprimento das medidas judiciais, também foi registrado um termo circunstanciado de ocorrência relacionado a drogas.

Os investigados podem responder por crimes contra a Administração Pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

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