Montagem/RepórterMT

A Justiça de Mato Grosso manteve a prisão do cinco alvos da Operação Mãos à Obra, que investiga esquema de propina em Sinop
VANESSA MORENO
DO REPÓRTERMT
A Justiça de Mato Grosso manteve presos preventivamente os cinco investigados na segunda fase da Operação Mãos à Obra, que apura um esquema de pagamento de propina a servidores públicos de Sinop (a 481 km de Cuiabá) para facilitar a liberação de obras irregulares. A decisão foi proferida pela juíza Laura Dorilêo Cândido, do Núcleo de Justiça 4.0 Polo Sinop, após audiência de custódia realizada na quarta-feira (28).
Os cinco investigados foram presos durante a operação deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). São eles: a empresária Débora Alvarenga Nakanishi da Silva, sócia da Dnishi Empreendimentos Imobiliários Ltda.; os servidores públicos Agnaldo Rael da Silva e Valdinei Monteiro da Silva; e os engenheiros civis da Prefeitura de Sinop Júlio Henrique Verdu Garcia e Fernando Dante Morari.
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Durante a audiência, os advogados dos investigados solicitaram a revogação das prisões preventivas. As defesas de Fernando e Valdinei alegaram problemas de saúde. No caso de Fernando, foi informado que ele é soropositivo e necessita de tratamento contínuo. Já em relação a Valdinei, a defesa afirmou que ele é hipertenso.
Os advogados de Débora e Agnaldo, por sua vez, argumentaram que o casal tem filhos menores que dependem integralmente dos pais. Como alternativa à liberdade, também solicitaram a aplicação de medidas cautelares diferentes da prisão.
A magistrada, no entanto, não concedeu a liberdade durante a audiência e determinou que os pedidos fossem encaminhados ao processo principal para manifestação do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), por meio do Gaeco.
A juíza também determinou que a Secretaria de Estado de Justiça de Mato Grosso (Sejus-MT) disponibilize vagas em unidades prisionais adequadas para os cinco presos.
Esquema de R$ 2,5 milhões
Conforme informações apresentadas pelo Gaeco durante coletiva de imprensa, a construtora Dnishi Empreendimentos Imobiliários teria pago aproximadamente R$ 2,5 milhões em propina a servidores municipais para viabilizar a liberação de obras em desacordo com as exigências legais.
A empresa, que tem Débora Alvarenga Nakanishi da Silva como sócia-administradora, seria beneficiada por um esquema que envolvia agentes públicos ligados à Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Habitação.
As investigações apontam que a construtora atuava principalmente na construção de kitnets destinadas à comercialização. Os empreendimentos teriam sido concluídos ou regularizados mediante pagamentos ilícitos, inclusive para garantir a emissão do Habite-se, documento necessário para atestar as condições legais de ocupação dos imóveis.
Segundo a promotora de Justiça Roberta Cheregati Sanches, as apurações preliminares identificaram 106 imóveis irregulares vinculados à construtora, distribuídos por diferentes bairros de Sinop.
Operação
Além do cumprimento dos cinco mandados de prisão preventiva, a segunda fase da Operação Mãos à Obra cumpriu 17 mandados de busca e apreensão. Entre os alvos estão profissionais ligados à construção civil, empresários e pessoas investigadas por possível participação no esquema. São eles: Antônio Benedito Rodrigues, servidor público; Bruna Maia de Freitas, arquiteta; Grazielly Stolarski, arquiteta e urbanista; Samuel de Sousa Vieira, fiscal de obras; Charles Correia da Costa, engenheiro civil; Danielle da Silva Otaviano Garcia, empresária; Felipe Gabriel Russo, empresário; Laércio Ronei Schorr, engenheiro civil e corretor de imóveis; Roni de Souza, engenheiro civil, empresário e agente penitenciário; e Dnishi Empreendimentos Imobiliários Ltda., empresa investigada.
A Justiça também determinou o afastamento de seis servidores públicos de suas funções e o bloqueio de até R$ 80 milhões em bens dos investigados.
De acordo com as investigações, a organização criminosa atuou entre 2017 e 2026.
A primeira fase da operação foi deflagrada em 28 de julho deste ano, quando foram cumpridos três mandados de busca e apreensão para investigar suspeitas de cobrança de propina por servidores municipais em troca de agilidade na tramitação e aprovação de projetos.
O bloqueio do dinheiro, conforme o Gaeco, é uma medida cautelar para garantir eventual ressarcimento e não representa, necessariamente, o valor efetivamente desviado.
Os fatos seguem sob investigação.























