Cuiabá, 29 de Outubro de 2026
XX°C
RepórterMT - Notícias de Mato Grosso e Cuiabá Hoje
29 de Outubro de 2026

26 de Maio de 2026, 11h:34 - A | A

POLÍTICA / BATALHA NO STF

"Não vamos ceder um palmo de terra a Mato Grosso", diz governadora do Pará sobre disputa territorial

Declaração foi dada após remarcação de audiência que discutirá disputa territorial envolvendo região da Cachoeira das Sete Quedas

Reprodução

Chefe do Executivo paraense diz que decisão anterior do STF foi amparada por perícias técnicas e anos de análise documental sobre a área

Chefe do Executivo paraense diz que decisão anterior do STF foi amparada por perícias técnicas e anos de análise documental sobre a área

LUÍZA VIEIRA
DO REPÓRTERMT



A governadora do Pará, Hana Ghassan (MDB), foi dura ao declarar que o Estado não irá ceder “nenhum palmo de terra” para Mato Grosso na ação que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) e busca revisitar a antiga disputa sobre a delimitação territorial entre os estados. Mato Grosso reivindica uma área de mais de 22 mil quilômetros quadrados, incluindo o marco geográfico da região conhecida como Cachoeira das Sete Quedas.

“Nós não vamos ceder um palmo da terra que pertence aos paraenses. O Estado do Mato Grosso foi ao STF para tentar reabrir um caso encerrado. O controle de uma área de 22 mil quilômetros quadrados”, declarou a governadora.

>>> Receba as principais notícias de Mato Grosso em primeira mão. Clique aqui!

A disputa envolve uma área equivalente ao território do estado de Sergipe e abrange seis municípios paraenses: Jacareacanga, Novo Progresso, Altamira, São Félix do Xingu, Cumaru do Norte e Santana do Araguaia.

O impasse territorial se arrastou por cerca de 20 anos e foi encerrado em 2020, quando o STF decidiu manter o limite entre Mato Grosso e Pará. Na ocasião, Mato Grosso buscava o reconhecimento, como parte de seu território, de uma extensão de terra incorporada ao Pará em 1922.

No entanto, o estado voltou a questionar o entendimento em uma nova ação protocolada em maio de 2023, na qual reivindica novamente o reconhecimento de parte da área. Segundo Hana Ghassan, a decisão anterior foi embasada em ampla análise técnica, considerada suficiente para encerrar o debate.

“O próprio STF já decidiu isso por unanimidade em 2020, depois de anos de perícia de mapas, documentos e visitas técnicas à região, inclusive pelo Exército Brasileiro. Tentar reabrir esse processo agora ignora a lei e gera insegurança para quem produz e vive da nossa terra. É uma ameaça a todos nós paraenses e isso eu não vou admitir”, frisou.

A governadora também destacou que, apesar da relação institucional respeitosa entre os estados, a posição do Pará é inegociável.

“Respeito e defendo uma relação harmoniosa com o Estado do Mato Grosso. Mas este território nos pertencem a mais de 100 anos. A gente não está tratando de linhas de um mapa, de letras frias da lei. A gente está falando de famílias, de pessoas que nasceram paraenses, criaram seus filhos como paraenses e continuarão a ser paraenses”.

A audiência de conciliação no Supremo sobre a disputa de limites territoriais entre Pará e Mato Grosso foi remarcada para o dia 6 de junho, em Brasília. A sessão estava inicialmente prevista para 21 de maio, mas foi adiada por decisão do ministro relator Flávio Dino.

Foram intimados a União, as bancadas federais e as assembleias legislativas de ambos os estados. Municípios diretamente impactados pela demarcação também poderão solicitar participação no ato.

“Nós temos uma audiência no STF e eu irei, com todo o respeito à Justiça, mas com a firmeza e a convicção de que o Pará é um só, é por inteiro”, finalizou a chefe do Executivo estadual.

Impactos

Além do embate político e institucional, uma eventual alteração nos limites territoriais pode gerar impactos econômicos e sociais relevantes, como perda de arrecadação em áreas produtivas e insegurança jurídica sobre títulos de terra e propriedades rurais.

Veja vídeo:

Comente esta notícia