DIÁRIO DE CUIABA 12h00
Com 65 anos e jeito agitado, o clínico-geral e epidemiologista Oswaldo Cid Nunes da Cunha se tornou o mais novo mato-grossense a ter os seus direitos políticos reconhecidos pelo governo federal. Em 2011, completou 45 anos que foi exilado em seu próprio país.
No final de agosto, quase no mesmo dia que a "Lei da Anistia Política" completou 32 anos, foi publicada a sua indenização por tudo que passou. O anistiado não quis revelar o valor que receberá. "Convivi muito com pessoas na clandestinidade. Vi companheiros morrerem".
Nascido em Cuiabá em maio de 1946, Oswaldo Cid - nome dado pelo pai em homenagem ao médico Oswaldo Cruz - teve a cultura como alicerce para a sua formação política, principalmente pelos vários livros que "devorava".
"Era uma época de intensa atividade cultural, com objetivos, entendeu? Peças de teatro... os filmes influenciavam você a ver coisas que ia sacar daqui a dez anos. Você tinha que batalhar atrás de um livro porque era difícil conseguir esse livro. Você devorava aquele livro, o livro incorporava dentro da sua mente [...] porque você conseguiu aquilo com sacrifício, diferente de hoje que você lê meio na luxúria, vamos dizer assim".
Com cerca de 12 anos, Oswaldo foi morar no Rio de Janeiro, considerado um Estado berço da cultura liberal e vanguardista brasileira. "Lá que tive essa abertura e tive a sorte de encontrar grandes companhias, dentro de livrarias. Meu irmão Mauro Cid que vivia no meio desses intelectuais".
Oswaldo viu a Convergência Socialista surgir, o que, mais tarde, deu raízes e formou o Partido dos Trabalhadores (PT). "Daí surgiu o PT, foi em São Paulo, num hotel lá de São Paulo, esse encontro da Convergência Socialista. Quando a esquerda mais radical convidava os jovens universitários a largarem os estudos e irem às fábricas para dar ideologização aos operários. Vários colegas que eu conhecia abandonaram a universidade e partiram para isso aí, o que não foi o meu caso".
Antes disso, em meados da década de 1960, o então estudante de Medicina foi preso. Acusações contra ele: assalto a banco para adquirir armas para guerrilha, prisão no congresso de Ibiúna (SP), prisão por causa do primeiro Encontro Nacional de Estudantes (ENE), etc. "No meu dossiê, sou assaltante de banco no Rio de Janeiro. De onde tiraram, não sei. E, se aconteceu, também não sei. Porque, às vezes, a gente pirava".
Ele conta que foi companheiro de cela de José Dirceu (ex-ministro da Casa Civil no governo Lula), Franklin Martins (jornalista e ex-ministro do mesmo governo), Cid Queiroz, Vladimir Palmeiras, entre outros.
"Passei uma temporada na prisão Tiradentes [SP], depois fui para Caetano de Farias, no Rio de Janeiro. Passei no Frei Caneca outra temporada. Tudo aquilo que a Dilma falou, eu passei muito mais. Depois fui preso novamente, o pessoal do Dops [Departamento de Ordem Política e Social], principalmente o cara que tomava o estado, a máquina lá, me reconhecia já".













silas tavares severo 24/11/2012
oswaldo cid nunes da cunha foi estudante de medicina veterinária na UFRRJ, ex escola nacional de veterinária e form ou-se em 1970. Fomos colegas de turma.
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