ANA JÁCOMO
DO REPÓRTERMT
As investigações do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) sobre o balcão de negócios no TJ-MT (Tribunal de Justiça de Mato Grosso) revelaram que a empresa Veritas Construtora e Incorporadora transferiu R$ 140 mil para a conta de Carla Patrícia Monteiro dos Santos, esposa do desembargador Dirceu dos Santos.
No entanto, o que mais chamou a atenção dos investigadores é a total ausência de uma justificativa comercial para o depósito, o que levou o ministro Mauro Campbell Marques a apontar o uso da conta da esposa como destino final de propina.
A decisão detalha que o montante foi transferido por Luciano Cândido Amaral, para "mascarar o recebimento de vantagens ilícitas". Em um trecho, o ministro afirma que a transação ratifica os indícios de crime "em nítida situação de lavagem de capitais na modalidade dissimulação".
Para o CNJ (Conselho Nacional de Justiça), a construtora era apenas a ponte para que o dinheiro das decisões judiciais, negociadas com o advogado Roberto Zampieri, assassinado em 2023, chegasse às mãos da família do desembargador.
Além desse repasse, a investigação aponta que o esquema era sustentado por um emaranhado de empresas, incluindo a MaisLaser Cuiabá Ltda., onde Dirceu e Luciano eram sócios.
O ministro relator destacou que as transferências sem causa comercial serviam para alimentar o patrimônio de luxo do magistrado, que inclui 92 operações imobiliárias e uma mansão nos EUA (Estados Unidos).













