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Cuiabá, 25 de Maio de 2024
25 de Maio de 2024

11 de Dezembro de 2010, 13h:25 - A | A

POLÍTICA /

Edvá "garante" que aparelhos não serão indústria da multa em Cuiabá



ANDRÉ MICHELLS
DA REDAÇÃO

Os radares que vão ser instalados na Capital no ano que vem, conforme projeto da prefeitura, não serão máquinas de multar. A “garantia” é do secretário de Trânsito e Transporte de Cuiabá, Edivá Alves. O secretário avisa que a prefeitura não vai cometer os mesmos erros do passado, quando os aparelhos foram questionados na Justiça por irregularidades de contrato e acabaram desativados. "Dessa vez o valor da locação dos equipamentos vai ser fixo e a empresa não vai ter nenhuma participação nos valores das multas", frisou Edivá.

Na época em que os radares foram instalados, em 1998 os aparelhos estavam sem aferição do Inmetro, além de o contrato com a empresa fornecedora das máquinas ser considerado ilegal. A empresa, com sede em Curitiba, recebia como pagamento um percentual dos valores das multas aplicadas, o que provocou uma ação civil pública, movida pelo então, apenas jornalista, Sérgio Ricardo.

A Justiça determinou a retirada dos aparelhos depois da iniciativa. Esta foi a porta de entrada de Sérgio para a carreira política, vale ressaltar. O secretário Edvá informou que, com valores fixos, a prefeitura vai desvincular a imagem dos radares a de uma "indústria da multa".

Edivá afirmou que, apesar do anúncio da instalação dos equipamentos, ainda não há uma previsão de quando eles serão implantados e que nem mesmo o processo licitatório do serviço foi concluído. "O que nós temos é um levantamento dos pontos mais críticos da cidade, onde há mais necessidade de radares. Com base nisso fiz uma proposta e encaminhei à secretaria de Planejamento, que é a responsável por fazer a licitação", ponderou.

Entre as mudanças que devem ocorrer no novo sistema de fiscalização está o acompanhamento da SMTU em todas as medições feitas pelos equipamentos, além de promover campanha de esclarecimento. O secretário disse que os motoristas terão um período de seis meses para se adaptar a nova rotina no trânsito.

"Durante os primeiros 90 dias não vamos multar, apenas notificar. Depois, numa segunda etapa de igual duração, os pontos das carteiras serão retirados e posteriormente as multas serão realmente aplicadas", explicou.

Edvá classifica a implantação de radares como medida de segurança, baseado nos números do trânsito cada vez mais caótico da cidade. Em média, 200 mortes por ano. "Nós temos uma cidade com índices altíssimos de acidentes. Mesmo com todas as pistas sinalizadas as pessoas não respeitam".

O diretor de habilitação do Detran, Eugênio Destri, também é favorável a medida. “Trânsito é um tripé. Tem que haver educação, sinalização e vias adequadas e fiscalização rigorosa, senão tudo desmorona. É o que estamos assistindo hoje em Cuiabá”, avaliou.

Monitoramentos feitos pela Polícia Militar, com radares móveis alugados pelo Detran constatou velocidades superiores a 150km/h em vias onde a máxima permitida é de 60km/h como no caso da Miguel Sutil. A velocidade dos veículos está fazendo com que cresça o número de mortes por atropelamentos. Nos últimos 30 dias, três pessoas morreram atropeladas na cidade.

O deputado Sérgio Ricardo (PR), primeiro secretário da Assembleia, já avisou que vai entrar na Justiça para barrar qualquer tentativa da prefeitura de voltar com as máquinas, as quais ele classifica como "indústria da multa". O deputado disse que radar não educa e que a construção de lombadas físicas seria uma melhor opção, aliada a programas permanentes de educação para o trânsito.

O prefeito Chico Galindo informou que os radares fazem parte do projeto de mobilidade urbana e também de segurança pública que visa a Copa do Mundo de 2014. O evento tem Cuiabá como uma das sedes.

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