Karine Arruda/RepórterMT

Vereador desfaz acordo com base governista após suspensão de votação pelo TJMT
ANA JÁCOMO
KARINE ARRUDA
DO REPÓRTERMT
O vereador Dilemário Alencar (União Brasil) oficializou, hoje (16), o rompimento com o bloco governista e a retomada de sua candidatura independente à presidência da Câmara de Cuiabá. A decisão ocorre após expirar o prazo de um acordo interno que previa o apoio do parlamentar à reeleição da atual presidente, Paula Calil (PL), caso ela viabilizasse os votos necessários para mudar o Regimento Interno até hoje, plano que ruiu após uma liminar do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) suspender a sessão de votação.
Pelo acordo de bastidores, Dilemário e a vereadora Baixinha Giraldelli (Solidariedade) endossariam o projeto de Paula se ela comprovasse ter os 18 votos necessários para aprovar a mudança que permitiria sua reeleição. Sem a votação devido à decisão judicial obtida pela própria ala aliada para evitar uma derrota acachapante em plenário, Dilemário considerou o trato desfeito.
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"Existia um entendimento de que, até o dia 16, caso a atual presidente conseguisse mudar o regimento com 18 votos, eu e a Baixinha apoiaríamos ela. Com essa decisão judicial, não tem como fazer essa votação. Portanto, eu recoloco a minha candidatura", declarou Dilemário na tribuna.
O fantasma das "traições"
O vereador revelou a atual divisão de forças na Casa, expondo que o grupo governista está rachado e enfraquecido. Segundo ele, o bloco de oposição liderado por Ilde Taques (PSB) conta hoje com 13 votos, enquanto a ala de Paula Calil soma 12. Diante desse cenário, a candidatura avulsa de Dilemário e Baixinha, com 2 votos, assume o papel de "fiel da balança" no parlamento cuiabano.
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Adotando um tom realista e ácido sobre as negociações de bastidores, Dilemário ironizou a suposta base de apoio governista e minimizou o peso da máquina pública na eleição interna.
"Eu só tenho a saliva para convencer cada vereador. Eu não vou fazer parte de nenhuma Mesa Diretora lá na frente. Vou pedir voto para os outros 25. Já participei de oito eleições de Mesa e garanto: isso se resolve na última semana. Já vi candidato bater foto com 18 apoiadores e, no dia da apuração, ter apenas 3 votos. Eleição é postura e comportamento", disparou.
A nova configuração estabelece uma disputa de três vias pelo comando do biênio 2027-2028: Ilde Taques, Paula Calil e Dilemário Alencar. O vereador do União Brasil defendeu ainda que o pleito ocorra sem interferências do Palácio Alencastro para evitar o desgaste institucional da imagem do Legislativo.
Com o acirramento dos ânimos e o adiamento das discussões regimentais forçado pela Justiça, os articuladores políticos preveem que a definição da Mesa Diretora só ocorra de forma definitiva às vésperas da votação em plenário.
Veja o vídeo:

















