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Cuiabá, 16 de Junho de 2026
16 de Junho de 2026

16 de Junho de 2026, 15h:33 - A | A

POLÍTICA / ESQUEMA NO TJMT

Desembargador afastado por venda de sentenças pede aposentadoria para escapar de perder o cargo

Alvo da Operação Gemini da Polícia Federal e com julgamento pendente no CNJ, magistrado protocola pedido de contagem de tempo para garantir benefício vitalício de R$ 57 mil

DO REPÓRTERMT



O desembargador Dirceu dos Santos, afastado de suas funções no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT) por venda de sentença, protocolou um pedido administrativo de contagem de tempo de serviço para obter a aposentadoria voluntária proporcional. O requerimento, apresentado no fim da tarde de segunda-feira (15), é uma manobra estratégica para tentar salvaguardar seus vencimentos mensais de R$ 57.866,57 (referente ao último mês na ativa), antes que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) retome o julgamento de seu Processo Administrativo Disciplinar (PAD).

A pressa do magistrado em buscar a via voluntária se apoia em uma mudança recente de entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), que pôs fim à aposentadoria compulsória como punição máxima a juízes. Com as novas regras judiciais, caso o CNJ comprove as infrações graves de corrupção, a penalidade aplicada pode ser a perda definitiva do cargo.

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Ao solicitar a aposentadoria por tempo de serviço de forma antecipada, a defesa tenta criar um fato consumado para responder ao processo com maior estabilidade financeira, embora as cortes superiores ainda possam reverter o benefício caso os crimes sejam comprovados em âmbito penal.

Dirceu dos Santos está formalmente afastado do Judiciário mato-grossense desde 2 de março de 2026, por determinação do corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques. Ele é suspeito de integrar um esquema de recebimento de vantagens indevidas para a concessão de decisões judiciais direcionadas.

Uma auditoria realizada nas contas do desembargador revelou uma evolução patrimonial colossal e incompatível de R$ 14,6 milhões no período de cinco anos, com destaque para o ano de 2023, quando a diferença entre seus rendimentos lícitos declarados e o acréscimo de bens atingiu quase R$ 2 milhões.

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Entenda o caso

Em 8 de junho, com a deflagração da Operação Gemini pela Polícia Federal (PF), que cumpriu mandados de busca e apreensão em seus endereços. Os investigadores descobriram que o celular do advogado Roberto Zampieri, assassinado em Cuiabá no final de 2023, continha mensagens explícitas que revelavam o modus operandi do grupo.

No aparelho, o empresário Luciano Cândido Amaral estava cadastrado sob o codinome de "Irmão Gêmeo", atuando como o suposto operador financeiro que pagava despesas e boletos pessoais do desembargador de forma direta.

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Além do recolhimento de bens de alto valor na residência de Dirceu, como um relógio Rolex avaliado em R$ 208 mil, as quebras de sigilo apontaram repasses diretos de empresas vinculadas ao suposto operador para as contas da esposa do magistrado.

O caso, que também envolveu o cumprimento de mandados contra o deputado estadual Faissal Calil (PL) e o advogado Bruno Castro, foi encaminhado para a Procuradoria-Geral da República (PGR), que analisa a circularidade das transações financeiras paralelas à tramitação de recursos importantes dentro do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT).

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