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Cuiabá, 01 de Junho de 2026
01 de Junho de 2026

06 de Março de 2026, 10h:55 - A | A

POLÍTICA / ESCÂNDALO NO JUDICIÁRIO

O "Irmão Gêmeo": Saiba quem é o empresário considerado cérebro do esquema de venda de sentença

Luciano Cândido Amaral é apontado pelo CNJ como o intermediário. Construtora do empresário repassou R$ 140 mil à esposa de magistrado.

ANA JÁCOMO
DO REPÓRTERMT



Investigações do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) revelam que o empresário Luciano Cândido Amaral era a peça-chave e o principal operador financeiro do desembargador Dirceu dos Santos, no TJ-MT (Tribunal de Justiça de Mato Grosso).

Identificado na agenda do advogado Roberto Zampieri pelo apelido “IRMÃO GÊMEO – DD”, Luciano é apontado como o intermediário que transformou o gabinete do magistrado em um rentável balcão de negócios, operando sem qualquer vínculo formal com o Judiciário.

A análise técnica do celular de Zampieri, que foi assassinado em 2023, mostra que no dia 27 de setembro de 2023, Zampieri enviou um arquivo de processo para Luciano solicitando um efeito suspensivo.

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Apenas 15 segundos depois, o empresário já articulava a decisão. No dia seguinte, a liminar favorável era assinada por Dirceu dos Santos. A relação entre ambos ia além do tribunal. Luciano e o desembargador foram sócios formais na empresa Maislaser Cuiabá Ltda. entre 2022 e 2024, que tem a apresentadora Ana Hickmann como sócia-embaixadora nacional.

O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e a PF (Polícia Federal) identificaram que Luciano utilizava sua estrutura empresarial para dissimular o pagamento de vantagens indevidas. Entre 2020 e 2023, Zampieri transferiu cerca de R$ 600 mil para contas ligadas ao empresário.

Um dos rastros mais comprometedores é o repasse de R$ 140 mil feito pela Veritas Construtora e Incorporadora, de propriedade de Luciano, diretamente para a conta de Carla Patrícia Monteiro dos Santos, esposa do desembargador.

Além da construtora, o esquema envolvia a gestão da M.S. Comércio de Pizzas e Massas Pré-Assadas, que segundo a decisão, era registrada no nome de uma amante do desembargador, no entanto, ele geria o negócio pessoalmente, utilizando seus próprios cartões para pagar fornecedores. A empresa movimentou R$ 800 mil só em 2019.

Diante das evidências de corrupção passiva e lavagem de capitais, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) determinou o afastamento de Dirceu dos Santos e a indisponibilidade de bens do magistrado e das empresas controladas por Luciano Amaral. O caso agora segue para a PGR (Procuradoria-Geral da República) para o oferecimento de denúncia criminal.

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