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02 de Novembro de 2026, 11h:49 - A | A

POLÍTICA / OPERAÇÃO TOMADA DE CONTAS

Conselheiro afastado do TCE comprou Porsche e BMW avaliados em R$ 1,27 milhão

Alisson Carvalho de Alencar adquiriu os veículos enquanto recebia pagamentos milionários considerados suspeitos; ele foi afastado na operação que prendeu o presidente Sérgio Ricardo.

Reprodução

As informações constam da análise patrimonial realizada pela Polícia Federal, que identificou os automóveis vinculados ao conselheiro.

As informações constam da análise patrimonial realizada pela Polícia Federal, que identificou os automóveis vinculados ao conselheiro.

DO REPÓRTERMT



O conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), Alisson Carvalho de Alencar, adquiriu um Porsche Cayenne Coupe Hybrid e uma BMW X2 M35i, avaliados juntos em R$ 1.277.879, durante o período investigado pela Polícia Federal (PF). As compras foram identificadas na investigação da Operação Tomada de Contas, que prendeu o presidente da Corte, Sérgio Ricardo de Almeida, e afastou outros integrantes do tribunal na última quinta-feira (29).

De acordo com a representação encaminhada ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), o Porsche Cayenne, cinza, ano/modelo 2024/2025, foi adquirido em março de 2026 e tem valor de referência de R$ 822.618 na tabela Fipe. Já a BMW X2 M35i, preta, ano/modelo 2025/2025, foi adquirida em junho de 2025, com avaliação de R$ 454.961.

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As informações constam da análise patrimonial realizada pela Polícia Federal, que identificou os automóveis vinculados ao conselheiro. Os valores apresentados são referências de mercado, não necessariamente os preços efetivamente pagos pelas compras.

As aquisições chamaram a atenção dos investigadores diante das movimentações financeiras consideradas incompatíveis com os padrões remuneratórios do cargo que Alisson ocupava.

R$ 8,18 milhões em menos de 10 meses

Antes de assumir uma cadeira no TCE-MT, Alisson exercia a função de procurador-geral do Ministério Público de Contas. Entre 1º de janeiro e 22 de outubro de 2025, recebeu R$ 8.186.496,57 em transferências originadas de contas do Tribunal de Contas, segundo a investigação.

Os valores foram distribuídos em 113 transações bancárias, realizadas em diferentes datas e destinadas a contas do então procurador.

A quantia representa 71,72% de todos os pagamentos feitos aos quatro procuradores de Contas no período analisado. Para comparação, Getúlio Velasco Moreira Filho recebeu R$ 1,36 milhão; Gustavo Coelho Deschamps, R$ 973,7 mil; e William de Almeida Brito Júnior, R$ 891,7 mil.

O relatório da PF também aponta pagamentos mensais superiores a R$ 600 mil a partir de março de 2025. Em maio, os repasses chegaram a R$ 1.147.550,66; em junho, a R$ 1.007.836,02; e, em outubro, até o dia 22, somaram R$ 980.358,44.

Os investigadores identificaram repasses sucessivos, inclusive por mecanismos bancários destinados ao pagamento de fornecedores, além de valores que não acompanhavam o padrão observado entre os demais integrantes da carreira.

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Holding familiar

Outro ponto que despertou o interesse da Polícia Federal foi a ACA Holding Patrimonial Ltda., empresa da qual Alisson figura como sócio juntamente com sua mãe, Gladys Carvalho de Araújo Alencar, e seu irmão Filipe Carvalho de Alencar, já falecido.

A empresa é mencionada na representação policial logo após o levantamento dos veículos de alto valor. A investigação aponta a necessidade de considerar a estrutura patrimonial do conselheiro na apuração da origem e da movimentação dos recursos.

A existência da holding, por si só, não configura irregularidade. A investigação busca esclarecer a compatibilidade entre os pagamentos recebidos, a evolução patrimonial e as operações financeiras realizadas.

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Pisão e afastamentos no TCE

A Operação Tomada de Contas foi deflagrada pela Polícia Federal em 29 de outubro, após autorização do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça.

A investigação apura suspeitas de desvio de recursos públicos, irregularidades em contratos administrativos e pagamentos milionários a integrantes da Corte de Contas fora dos padrões de remuneração divulgados pelo órgão.

Entre os seis investigados que tiveram prisão preventiva decretada está o presidente do Tribunal, Sérgio Ricardo de Almeida. Também foram alvos de prisão o consultor jurídico-geral Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, o assistente jurídico Gustavo Fernandes da Silva, o assessor Felipe José Glinke, a chefe de gabinete Roseli Loss e o secretário executivo Adriangelo Barros Antunes.

Além das prisões, a Justiça determinou o afastamento dos conselheiros Guilherme Maluf, José Carlos Novelli e Alisson Carvalho de Alencar. O conselheiro aposentado Valter Albano da Silva também foi atingido por medidas cautelares.

Alisson assumiu a cadeira de conselheiro em 23 de dezembro de 2025, após a aposentadoria de Valter Albano. Menos de um ano depois, foi afastado no âmbito da investigação.

A decisão judicial também impôs restrições aos investigados, incluindo a proibição de acesso ao TCE-MT, entrega de passaportes e limitações para a alienação de bens e realização de atos societários.

Os investigadores apuram a origem e a destinação de recursos movimentados no Tribunal. Os fatos ainda são objeto de investigação e não representam condenação dos envolvidos.

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