RepórterMT/Karine Arruda

Prefeito anuncia contenção em Cuiabá e pede cautela aos municípios com a Lei de Responsabilidade Fiscal.
ANA ADÉLIA JÁCOMO
KARINE ARRUDA
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL) fez um duro alerta aos gestores municipais de Mato Grosso e do Brasil sobre as perspectivas econômicas para os próximos anos. Ao analisar a nova conjuntura nacional após a consolidação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Abilio previu um ano de 2027 extremamente severo do ponto de vista financeiro, impulsionado pela ineficiência da gestão federal e pelo agravamento de fatores climáticos e globais.
Para Abilio, a falta de credibilidade da base aliada e o inchaço de despesas permanentes no governo federal já mostram sinais de fragilidade que recairão sobre a ponta. No dia seguinte ao pleito, o governo federal confirmou o remanejamento de cerca de R$ 20 bilhões no Orçamento de 2027.
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O Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO) anunciou que o ajuste orçamentário foi necessário para acomodar despesas do “pacote de bondades” anunciado pelo governo nas semanas que antecederam o segundo turno.
Entre as medidas estão o reajuste de 15% no Bolsa Família (com impacto de R$ 22 bilhões), a ampliação do programa Pé-de-Meia para universitários (R$ 2 bilhões), o Desenrola 3.0 (R$ 5 bilhões) e o Pix Mei (R$ 1 bilhão).
Abilio traçou um diagnóstico preocupante. Segundo ele, a combinação de recessão global impactará diretamente a produção e a arrecadação. Para evitar um estrangulamento nas contas públicas, o prefeito recomendou cautela aos empresários e fez um alerta aos prefeitos em relação à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
"[O ano de] 2027 promete ser um ano economicamente muito difícil. Aos municípios, eu faço um alerta: cuidado com a Lei de Responsabilidade Fiscal. O município aumenta a receita própria, mas se diminui o repasse do Governo Federal e fica no zero a zero. A maioria faz projeção de gastos com folha confiando num crescimento e depois vem a frustração de receita. Eu vi isso acontecer no mandato do Lula no passado, com prefeitos reclamando da falta de repasses", enfatizou Abilio.
Abilio revelou que a Prefeitura de Cuiabá já adota uma postura defensiva para evitar o endividamento. Segundo o prefeito, apesar de a arrecadação própria do município ter crescido R$ 67 milhões, a União promoveu uma frustração de R$ 100 milhões nos repasses federais, anulando a margem de crescimento da receita.
"Nós já tivemos uma frustração de R$ 100 milhões do Governo Federal. Nós crescemos R$ 67 milhões, demos 4,5% de RGA e não sobrou nada, ficou no zero a zero. Eu vou tomar medidas de contenção no município de Cuiabá porque não podemos confiar que teremos repasses adequados. Todos os municípios do Brasil precisam rever seus orçamentos e não depender de repasse do Governo Federal para não estourar gastos com pessoal", concluiu o prefeito.
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