DO REPÓRTERMT
O assistente jurídico do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), Gustavo Fernandes da Silva, preso durante a Operação Tomada de Contas, da Polícia Federal, teria recebido R$ 15.892.850,54 em um suposto esquema criminoso envolvendo irregularidades em pagamentos de servidores e contratos administrativos da Corte.
De acordo com a decisão do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Og Fernandes, Gustavo foi flagrado diversas vezes por câmeras de segurança realizando saques e transferências de dinheiro em agências bancárias.
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Para o magistrado, os registros indicam que ele atuava como um dos operadores financeiros da organização criminosa, supostamente liderada pelo então presidente do TCE, conselheiro Sérgio Ricardo. “As movimentações financeiras atribuídas ao investigado alcançam cifras expressivas e foram distribuídas em múltiplas contas bancárias, circunstância reveladora de sofisticado mecanismo de circulação de recursos”, consta no despacho.
O ministro também detalhou que aproximadamente 98,4% do montante atribuído a Gustavo teria sido movimentado por meio de 144 ordens avulsas, depositadas em oito contas bancárias vinculadas a sete instituições financeiras diferentes.
A atuação do servidor chamou a atenção dos investigadores também pela forma como os saques eram realizados. Segundo Og Fernandes, em algumas ocasiões, Gustavo aparece nas filmagens retirando dinheiro sem utilizar cartão bancário, inclusive poucos dias após receber diversas ordens de pagamento em lote.
Na decisão, o OG Fernandes, cita movimentações registradas em 5 de setembro de 2025, quando Gustavo teria realizado operações no mesmo contexto envolvendo Felipe José Glinke e Roseli Loss.
Em 18 de setembro, ele aparece realizando uma operação por meio de QR Code, novamente sem utilizar cartão físico. E em 7 de outubro, inicia um atendimento no caixa.
Apesar da movimentação milionária atribuída ao servidor, o patrimônio conhecido em seu nome seria incompatível com os valores recebidos.
Conforme o despacho, ele possui apenas dois veículos registrados em seu nome, “de maneira que os aproximadamente R$ 15,9 milhões recebidos não encontrariam correspondência patrimonial conhecida até o momento”, destacou o ministro.
OPERAÇÃO TOMADA DE CONTAS
Além de Gustavo Fernandes da Silva e do então presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo, a Polícia Federal prendeu outros servidores. Entre eles; o consultor jurídico-geral Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, o assessor jurídico Felipe José Glinke, a chefe de gabinete da presidência, Roseli Loss, e o secretário executivo Adriangelo Barros Antunes.
Na mesma decisão, o ministro Og Fernandes também determinou o afastamento dos conselheiros Guilherme Maluf, José Carlos Novelli e Alisson Carvalho de Alencar. O conselheiro aposentado Valter Albano foi proibido de exercer qualquer atividade, remunerada ou não, vinculada ao TCE-MT.


















