DO REPÓRTERMT
O Banco Central interrompeu, nesta quarta-feira (4), a sequência de cortes na taxa básica de juros da economia brasileira. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic em 13,75% ao ano, em um cenário de expectativas mais altas para a inflação e de incertezas sobre a condução das contas públicas.
No comunicado da decisão, o colegiado apontou aumento das incertezas econômicas, elevação das projeções de inflação e desaceleração mais acentuada da atividade. Também reconheceu que os juros já exercem forte efeito de contenção sobre a economia. A combinação, segundo o comitê, exige “serenidade e cautela”.
>>> Receba as principais notícias de Mato Grosso em primeira mão. Clique aqui!
O BC afirmou que continuará acompanhando os indicadores para manter os juros em nível suficiente para levar a inflação à meta. Os próximos passos ficaram em aberto, sem compromisso com a retomada dos cortes.
A reunião foi a primeira após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nesse intervalo, as dúvidas sobre a política econômica do próximo mandato e a sustentabilidade das contas públicas ganharam peso nas avaliações dos investidores, reduzindo as apostas em uma nova queda da Selic.
Ouvido pelo Bora Investir, da B3, o analista Matheus Villela, da Aware Investments, apontou preocupação com o equilíbrio das contas do governo e com a definição do comando do Ministério da Fazenda. Na avaliação dele, a pressão sobre o câmbio também dificulta o trabalho do Banco Central para reconduzir a inflação à meta.
Analistas consultados pelo UOL também relacionaram o risco fiscal às despesas anunciadas pelo governo durante a campanha e às dúvidas sobre medidas para conter o endividamento público. Essas avaliações ajudam a explicar a mudança das expectativas do mercado para os juros.
Até setembro, o Copom havia realizado cinco reduções consecutivas de 0,25 ponto percentual. Com isso, a Selic passou de 15% para 13,75% ao ano, acumulando queda de 1,25 ponto percentual desde março. A decisão desta quarta interrompe essa trajetória.
Para consumidores e empresas, a manutenção prolonga um ambiente de crédito caro. A Selic influencia as taxas de empréstimos e financiamentos. Juros elevados tendem a desestimular compras a prazo e investimentos, ajudando a conter a pressão sobre os preços, mas também limitando o ritmo da economia.
A próxima reunião do Copom, a última prevista para este ano, ocorrerá nos dias 8 e 9 de dezembro.













