Cuiabá, 12 de Setembro de 2026
XX°C
RepórterMT - Notícias de Mato Grosso e Cuiabá Hoje
12 de Setembro de 2026

27 de Maio de 2025, 13h:28 - A | A

POLÍCIA / EM REPRESENTAÇÃO

Renato Nery chamou jornalista de “blogueiro e grampeador de telefones”

Cláudio Natal é investigado por suspeita de envolvimento na morte do advogado

Montagem/RepórterMT

Cláudio Natal foi detido nessa segunda (26) por porte irregular de munições de arma de fogo, mas foi liberado.

Cláudio Natal foi detido nessa segunda (26) por porte irregular de munições de arma de fogo, mas foi liberado.

VANESSA MORENO
DO REPORTÉR MT



O jornalista Cláudio Roberto Natal, alvo da Polícia Civil nas investigações que apuram o assassinato do advogado Renato Nery, foi classificado pela vítima como “blogueiro, grampeador de telefones e estelionatário”. As acusações constam em uma representação disciplinar protocolada pelo advogado, na Ordem dos Advogados do Brasil – seccional Mato Grosso (OAB-MT), dias antes de morrer.

A representação, assinada por Renato no dia 17 de junho de 2024, denunciava o advogado Antônio João de Carvalho Júnior e a atuação de um “escritório do crime” em três ações referentes a disputa de terras. No documento, Nery citou o nome de Cláudio Natal em uma dessas ações, como integrante de um “conjunto de indivíduos atuantes que lhe emprestam auxílios criminosos”.

>>> Receba as principais notícias de Mato Grosso em primeira mão. Clique aqui!

Ao lado do nome de Cláudio Natal, Nery fez questão de colocar, entre parênteses, as classificações “blogueiro e grampeador de telefones” para identificá-lo.

Renato disse ainda que João de Carvalho, no curso de um dos processos, contava com “o auxílio de várias trapaças produzidas por seus asseclas na esfera extrajudicial”, dentre elas a divulgações de notícias feitas por Cláudio Natal contra Nery.

“O blogueiro (estelionatário) Cláudio Natal sempre se encarregando de noticiar, nas suas maledicentes linhas, inúmeras inverdades sobre a conduta social do advogado Renato (representante)”, destacou o advogado.

No dia 5 de julho do mesmo ano, menos de um mês após assinar a representação disciplinar, Renato Nery foi assassinado a tiros em frente ao seu escritório de advocacia, na Avenida Fernando Corrêa, em Cuiabá.

Mandado cumprido 

Cláudio Natal foi alvo de um mandado de busca e apreensão nessa segunda-feira (26). A ordem judicial foi dada pela juíza Edna Ederli Coutinho, do Núcleo de Inquéritos Policiais (NIPO) e cumprida pela Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Investigações apontam que ele está envolvido na alteração de documentos e no assessoramento a escritórios de advocacia. Além disso, ele teria ligado para a empresária Julinere Goulart Bastos, cerca de 15 dias antes das prisões de militares envolvidos no crime, para providenciar dinheiro para custear advogados que defenderiam os policiais. A polícia investiga se ele extorquiu a empresária em troca de silêncio.

LEIA MAIS: Jornalista é preso durante operação que apura morte de advogado

Durante o cumprimento do mandado de busca, foram encontradas com Cláudio diversas munições calibre 12, calibre 38 e .40. e um carregador de pistola, fato que resultou na prisão dele.

O investigado foi autuado em flagrante por porte ilegal de munições e, após o pagamento de uma fiança de R$7.590, ele foi liberado.

LEIA MAIS: Jornalista preso com munições irregulares é liberado

Prisões

A Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) já prendeu nove pessoas envolvidas no assassinato de Renato Nery. Dentre elas, o caseiro Alex Roberto de Queiroz, que confessou ser autor dos disparos e o policial militar Heron Teixeira Pena Vieira, que confessou a participação direta no crime. Ambos foram indiciados pelo crime de homicídio qualificado.

LEIA MAIS: Caseiro confessa que matou advogado a mando de casal de empresários

O casal de empresários Cesar Jorge Sechi e Julinere Goulart Bastos, moradores de Primavera do Leste (234 km de Cuiabá), também está preso. Eles são acusados de serem os mandantes do crime. Os dois teriam prometido o pagamento de R$ 200 mil pela morte do advogado. No entanto, só teriam pago R$150 mil.

Outros dois policiais militares, apontados como intermediários do assassinato, também estão presos. São eles: Jackson Pereira Barbosa e Ícaro Nathan Santos Ferreira.

A Polícia Civil indiciou ainda outros quatro militares, que teriam um envolvimento indireto no crime.

Segundo as investigações, Leandro Cardoso, Wailson Alessandro Medeiros Ramos, Wekcerlley Benevides de Oliveira e Jorge Rodrigo Martins teriam armado um suposto confronto entre criminosos e a Polícia Militar para esconder a arma utilizada no assassinato de Renato Nery.

A suposta ocorrência foi registrada sete dias após o crime.

A DHPP investiga ainda se há outros mandantes do assassinato.

O assassinato

Renato Nery morreu aos 72 anos, atingido por disparos de arma de fogo, no dia 5 de julho de 2024, em frente ao seu escritório, na capital. A vítima foi socorrida e submetida a uma cirurgia em um hospital privado de Cuiabá, mas morreu horas depois do procedimento médico.

A motivação do crime foi uma disputa de terras.

Comente esta notícia