VANESSA MORENO
DO REPÓRTERMT
O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) pediu que a pistola Glock usada para matar o advogado Renato Nery, em julho de 2024, em Cuiabá, permaneça apreendida até o julgamento de todos os envolvidos no assassinato.
A manifestação, protocolada na última sexta-feira (24) e assinada pelo promotor Rodrigo Ribeiro Domingues, foi apresentada após a mulher do executor Alex Roberto de Queiroz Silva pedir a liberação dos bens apreendidos depois que ele foi condenado a 33 anos e 10 meses de prisão pelo assassinato.
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No pedido, o órgão sustenta que a manutenção da apreensão da arma é necessária diante da existência de outros envolvidos no crime que ainda aguardam julgamento.
Além disso, a arma está vinculada a outros processos criminais.
“Não obstante a conclusão dos exames periciais pertinentes, a manutenção da apreensão do armamento mostra-se necessária, considerando a existência de outros réus ainda pendentes de julgamento, bem como a vinculação da referida arma a outros processos criminais”, diz trecho da manifestação.
Renato Nery foi assassinado no dia 5 de julho de 2024, em frente ao seu escritório, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá. Ele foi atingido por sete tiros, chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na madrugada do dia seguinte.
A motivação seria uma disputa judicial por uma área de mais de 12 mil hectares localizada no município de Novo São Joaquim. Após décadas, Renato Nery tornou-se coproprietário da terra, o que teria causado insatisfação no casal de empresários Julinere Goulart Bentos e Cesar Jorge Sechi, de Primavera do Leste (a 234 km de Cuiabá), apontados como mandantes do crime.
A denúncia do Ministério Público aponta que Julinere e Cesar prometeram R$ 215 mil pela morte do advogado.
Alex Roberto foi o executor, enquanto os policiais militares Ícaro Nathan Santos Ferreira, Jackson Pereira Barbosa e Heron Teixeira Pena Vieira teriam atuado como intermediários do crime.
Até o momento, apenas o executor foi julgado.
Falso confronto
Ainda de acordo com a denúncia do MP, os policiais militares Jorge Rodrigo Martins, Leandro Cardoso, Wailson Alesandro Medeiros Ramos e Wekcerlley Benevides de Oliveira forjaram um confronto no Contorno Leste, em Cuiabá, para dar fim à Glock usada para matar Renato Nery.
A ação resultou na morte de um jovem de 26 anos e deixou dois adolescentes, de 16 anos, feridos.
Após o falso confronto, a arma supostamente encontrada no local foi entregue em mãos por Jorge Rodrigo. Posteriormente, a perícia constatou que a pistola, que possui seletor de tiro automático e foi adaptada para disparos em rajada, é a mesma usada para assassinar Renato Nery e outra vítima, em 2022.
No boletim de ocorrência sobre o confronto, os quatro PMs inseriram informações falsas.
Os quatro são acusados de homicídio qualificado, tentativa de homicídio qualificado, fraude processual, porte ilegal de arma de fogo e organização criminosa.
Durante a tramitação do processo, eles chegaram a ser presos, mas foram soltos e retornaram ao trabalho.
Contudo, após determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), foram presos novamente e permanecem detidos.













