LUIS VINICIUS
DA REDAÇÃO
Mato Grosso registrou 227 casos de estupros em 2016. O número representa um aumento de 42% em relação ao ano passado, quando 162 mulheres foram vítimas de abusos sexual nas 141 cidades do estado.
"O estupro é o crime mais subnotificado do mundo, seja por vergonha das vítimas, por se sentirem culpadas ou por tabu”, afirmou a defensora.
Os dados foram divulgados pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) com exclusividade ao
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O levantamento aponta que as vítimas são mulheres com idade entre 18 a 59 anos.
Só na capital, os registros de estupro chegaram a 48 casos. Um aumento de 9% em comparação ao ano de 2015, quando 44 mulheres comunicaram à Polícia a ocorrência do estupro.
Já em Várzea Grande, os dados de violência sexual do último ano apresentaram redução de mais de 41%. Em 2015 foram 29 registros e 17 em 2016.
Para a presidente do Conselho dos Direitos da Mulher e defensora pública do Núcleo dos Direitos da Mulher, Rosana Leite, os números divulgados de ocorrências registradas na Grande Cuiabá não representam a realidade, já que parte das vítimas não registra a ocorrência de estupro.
"Se uma mulher é estuprada, questionam por qual razão ela é extrovertida ou estava usando determinada roupa”, disse Rosana.
“Uma pesquisa divulgada em junho pelo Ipea [Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada] aponta que os números de estatísticas representam apenas 10% dos casos de violência sexual. O estupro é o crime mais subnotificado do mundo, seja por vergonha das vítimas, por se sentirem culpadas ou por tabu”, afirmou a defensora.
Segundo a defensora, é necessário que sejam criadas políticas públicas eficientes para que as mulheres busquem seus direitos e denunciem os abusos sofridos, ação pouco tomada porque as vítimas acabam se sentindo culpadas e não acreditam que o poder público possa ampará-las.
“Do contrário, a vítima nunca vai querer buscar ajuda. O estupro é o único crime onde a vítima é julgada junto com o agressor. Se você é assaltado, ninguém pergunta porque você comprou determinado celular ou bolsa. Mas se uma mulher é estuprada, questionam por qual razão ela é extrovertida ou estava usando determinada roupa”, disse.
Rosana ressalta, também, a importância da discussão a respeito da chamada “cultura do estupro”, tema que instigou a realização de manifestações por diversas capitais do país, inclusive em Cuiabá.
“As mulheres jogaram para a sociedade toda a violência que elas passaram e, hoje, por meio das redes sociais e da mídia, conseguimos amplificar a discussão sobre o assunto. Porque a cultura do estupro existe. Um exemplo é quando paramos para analisar, desde a hora em que a mulher se levanta até a hora que vai dormir, quantas vezes ela muda de roupa ou de calçado para não atrair a atenção de homens na rua”.













