DO REPÓRTERMT
Mato Grosso chegou a 38 mulheres vítimas de feminicídio em 2026, considerando o assassinato de Taymilla Reis da Silva, de 23 anos, morta pelo marido na quinta-feira (17), em uma propriedade rural de Luciara.
O painel do Observatório Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), informa que sua última atualização ocorreu em 15 de setembro, quando contabilizava 37 vítimas. Como Taymilla foi assassinada dois dias depois e o caso é investigado como feminicídio, ela passa a ser a 38ª vítima do ano, embora a ocorrência ainda não tenha sido incorporada à atualização disponível no painel.
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Com o novo crime, setembro já soma quatro feminicídios em apenas 17 dias.
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A escalada começou no dia 2, quando Suenilda Vieira, de 37 anos, foi assassinada a tiros pelo marido, Fábio Júnior Januário Dias, de 42, em Araguaiana. O homem também baleou um dos filhos e tentou atingir a filha do casal. Ele morreu posteriormente em confronto com policiais. Fábio já havia sido denunciado por violência doméstica contra Suenilda em 2013, mas ela não tinha medida protetiva no momento do assassinato.
Quatro dias depois, em 6 de setembro, Mirela dos Santos Kaluzny, de 28 anos, foi morta a facadas dentro de uma residência em Feliz Natal. Câmeras de segurança registraram Mirela entrando no imóvel acompanhada de um homem durante a madrugada. Cerca de sete minutos depois, ele deixou o local sozinho. A vítima foi encontrada morta horas depois.
Montagem/RepórterMT
Mirela dos Santos Kaluzny, de 28 anos, foi assassinada a facadas.
O terceiro feminicídio do mês ocorreu no domingo (13), em Aripuanã. Lorrayne dos Reis Correia, de 28 anos, foi assassinada a tiros pelo ex-namorado, Júlio Moreira dos Santos, de 39 anos. O atual companheiro dela, Marcos Willian Richieri Pereira, de 36, também foi morto.
Reprodução
Lorrayne dos Reis Correia foi assassinada pelo ex-namorado Júlio Moreira dos Santos, em Aripuanã
Segundo informações já publicadas pelo #reporterMT, Júlio havia ameaçado Lorrayne e, em maio deste ano, chegou a esfaquear um namorado anterior dela. Ele foi preso naquela ocasião, mas acabou liberado no mesmo dia.
Taymilla pediu socorro à mãe
O caso mais recente ocorreu na quinta-feira (17), na Fazenda Mata Verde, na região de Luciara. Pouco antes de ser assassinada, Taymilla ligou para a mãe e avisou que o marido iria matá-la.
O irmão da jovem, de 18 anos, foi até a propriedade depois do pedido de socorro. Conforme revelou o delegado Daniel Moura ao RepórterMT, Taymilla foi atingida por aproximadamente 40 golpes de faca. O filho dela, de apenas quatro meses, também foi morto e sofreu cerca de cinco golpes no peito. Os números ainda dependem da conclusão do laudo pericial.
Montagem/RepórterMT
Taymilla Reis da Silva, de 23 anos, foi assassinada a facadas junto com seu bebê de 4 meses pelo marido Jailton Gonçalves Barreira, de 29 anos.
O marido da vítima, Jailton Gonçalves Barreira, de 29 anos, foi preso após o crime. Nesta sexta-feira (18), a Justiça converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva, mantendo-o preso enquanto as investigações prosseguem.
Março e junho lideram estatística
Antes do assassinato de Taymilla, os dados do Observatório Caliandra apontavam 37 feminicídios no Estado. Março e junho eram os meses mais violentos, com sete vítimas cada. Maio e agosto tinham cinco registros; janeiro e abril, três; e fevereiro e julho, dois.
Setembro aparecia com três casos. Com Taymilla, o mês passa a contabilizar quatro vítimas, enquanto o total anual sobe para 38.
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O levantamento oficial fechado em 15 de setembro também mostra que armas cortantes ou perfurantes eram o principal meio usado nos crimes: 18 das 37 mulheres contabilizadas até então foram mortas dessa forma. Outras oito foram assassinadas com arma de fogo e seis morreram por estrangulamento ou asfixia.
Maioria não tinha denunciado agressor
Outro dado chama atenção. Entre as 37 vítimas que já constavam no Caliandra, apenas nove tinham boletim de ocorrência contra o autor. Em 28 casos não havia denúncia anterior registrada.
A diferença é ainda maior em relação às medidas protetivas: somente duas das 37 mulheres tinham medida de proteção quando foram assassinadas. As outras 35 não possuíam esse instrumento.
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Esses números ainda não incluem Taymilla nas estatísticas detalhadas do painel, já que o último fechamento disponibilizado pelo Observatório ocorreu antes do crime. Os 37 feminicídios registrados até então haviam deixado 55 órfãos em Mato Grosso.
O próprio Observatório Caliandra ressalta que suas estatísticas partem inicialmente dos dados da Polícia Judiciária Civil e podem sofrer alterações após o oferecimento formal da acusação pelo Ministério Público.
Denuncie
A violência contra a mulher não pode ser ignorada nem ficar impune. Em Mato Grosso, há canais gratuitos e seguros para denunciar agressões, ameaças ou risco de feminicídio. As denúncias podem ser anônimas, e o boletim de ocorrência pode ser feito online, por meio da Delegacia Digital.
Em caso de emergência ou flagrante, procure ajuda imediata pelos telefones 190 (Polícia Militar), 197 (Polícia Civil), 181 (Disque Denúncia) ou 180 (Central de Atendimento à Mulher). Em Cuiabá, também é possível acionar a Patrulha Maria da Penha pelo número (65) 98170-0199.
O atendimento presencial está disponível na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá e na Delegacia da Mulher de Várzea Grande. A pena para crimes contra a mulher pode chegar a 40 anos de prisão, conforme estabelecido pela Lei Federal nº 14.994/2024, conhecida como Pacote Antifeminicídio.















