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15 de Julho de 2026, 19h:30 - A | A

POLÍCIA / ASSASSINADO A TIROS EM CUIABÁ

Filha de Renato Nery relembra minutos após atentado contra o pai: "Tinham pedaços da cabeça dele no chão"

Durante o julgamento do assassino confesso Alex Roberto de Queiroz Silva, Lívia Nery contou que chegou a ver pedaços da cabeça do pai espalhados pelo chão em decorrência dos disparos.

Karine Arruda/RepórterMT

Lívia Nery prestou depoimento na manhã de hoje (15) durante julgamento do assassino de seu pai.

Lívia Nery prestou depoimento na manhã de hoje (15) durante julgamento do assassino de seu pai.

KARINE ARRUDA
DO REPÓRTERMT



Lívia Moreira Gomes Nery, filha do advogado Renato Nery, relembrou, em depoimento emocionado prestado na manhã de hoje (15), no Fórum de Cuiabá, os instantes posteriores ao atentado que vitimou o pai, baleado com cerca de sete tiros em frente ao próprio escritório de advocacia, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, no dia 5 de julho de 2024.

Durante o julgamento do assassino confesso Alex Roberto de Queiroz Silva, Lívia contou que chegou a ver pedaços da cabeça do pai espalhados pelo chão em decorrência dos disparos.

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"Tinham pedacinhos de algo como se fosse gordura de carne. Eu vi que tinham pedaços da cabeça dele ali no local. Eram pequenininhos, mas tinham. A massa encefálica saiu. Tanto é que, nesse mesmo dia, eu tive que voltar ao escritório à tarde e ainda vi aqueles pedacinhos ali. Eu passei a mão no chão e tinham aqueles pedacinhos de carne mole da cabeça dele", relatou.

"Eu passei a mão no chão na expectativa de levar aquilo. A gente sabe que não tem como, igual quando corta um dedo e leva para costurar. Não tinha como colocar aquilo de novo, mas foi só a ânsia de uma pessoa desesperada", acrescentou.

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Lívia disse que não estava no escritório no momento em que Renato foi atingido pelos disparos efetuados por Alex Roberto, mas seguia para o local e chegou cerca de cinco minutos após o atentado. Ela disse que, naquele momento, não fazia ideia do que havia acontecido nem de quem havia atirado contra o pai. A lembrança mais marcante, segundo ela, era ver o advogado chorando de dor enquanto era asfixiado pelo próprio sangue.

"A única coisa que eu sabia naquele momento é que ele tinha levado tiros na cabeça. Não sabia o motivo nem como. A gente viu ele estirado no chão e a única coisa que deu para ver foram as lágrimas saindo dos olhos dele. Ele estava urrando de dor, sendo asfixiado pelo sangue. [...] Ele urrava igual um bicho, não era nem um grito, era uma asfixia muito grande. Saía muita lágrima dos olhos dele. Saía sangue dos olhos, do nariz, da cabeça, pelos ouvidos, de todos os orifícios que eu vi", relembrou.

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Mesmo tendo chegado minutos após o crime, Lívia afirmou que acompanhou todo o atendimento prestado ao pai, desde os primeiros socorros até a atuação da Polícia Civil no local. Ela também presenciou o momento em que Renato precisou ser entubado dentro da ambulância devido ao acúmulo de sangue provocado pelos ferimentos na cabeça.

"Todos, até o motorista, foram ajudar a segurar [para entubar]. Eles estavam cortando a roupa. Eu vi ele gritando, vi os paramédicos falando: 'morte encefálica, não tem pupila, não tem nada, não adianta mais nada'. Subiram em cima dele, colocaram os tubos dentro e explodiu muito sangue nele", contou.

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Durante o depoimento, Lívia explicou que a irmã, Renata Nery, não participou do julgamento em razão do estado emocional abalado desde a morte do pai. Inicialmente, ela seria a responsável por prestar depoimento, pois estava no escritório quando Renato foi baleado. No entanto, faz tratamento psicológico desde o assassinato e possui recomendação médica para evitar situações que possam agravar seu quadro emocional.

Julgamento

Começou na manhã de hoje (15) o julgamento do caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva, assassino confesso de Renato Nery. Ele é submetido ao Tribunal do Júri e é o primeiro dos réus denunciados pela morte do advogado.

Alex confessou à Polícia Civil ter sido o autor dos disparos que mataram Renato Nery. Conforme as investigações, ele teria aceitado executar o crime mediante a promessa de pagamento de R$ 215 mil.

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O Ministério Público sustenta que o homicídio foi encomendado pelos empresários Julinere Goulart Bentos e Cesar Jorge Sechi em razão de uma disputa judicial envolvendo uma área rural de mais de 12 mil hectares, avaliada em mais de R$ 30 milhões, no município de Novo São Joaquim.

Segundo a denúncia, o sargento da Polícia Militar Heron Teixeira Pena Vieira teria atuado como intermediário entre os supostos mandantes e o executor. Outros quatro policiais militares também respondem ao processo, acusados de forjar um confronto policial para ocultar a arma utilizada no assassinato.

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