VINÍCIUS ANTÔNIO
DO REPÓRTERMT
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu, por unanimidade, prorrogar por mais 140 dias o prazo para a conclusão do Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o juiz Wladymir Perri, de Cuiabá. A decisão foi tomada em sessão virtual encerrada nessa terça-feira (30) e acompanhou o voto do relator do caso, conselheiro Ilan Presser.
Com a prorrogação, a instrução processual será estendida por mais 140 dias, contados a partir de 7 de maio de 2026, para a conclusão das diligências antes do julgamento do mérito. Ao fim dessa etapa, o CNJ decidirá se o magistrado cometeu infrações disciplinares e se haverá aplicação de sanção administrativa.
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O PAD apura a conduta de Wladymir Perri durante sua atuação em processos relacionados ao assassinato do advogado Roberto Zampieri, morto a tiros em dezembro de 2023, em Cuiabá. A investigação disciplinar foi instaurada após representação do Ministério Público de Mato Grosso (MPE), que questionou a forma como o magistrado conduziu a tramitação do inquérito.
Entre os principais pontos analisados pelo CNJ está o recolhimento e o manuseio de provas apreendidas pela Polícia Civil. Segundo os autos, o juiz teria determinado o acautelamento de materiais, entre eles o telefone celular de Zampieri, aparelho que ficou conhecido nacionalmente como "celular bomba" em razão da quantidade de informações extraídas durante as investigações.
Também é apurado se o magistrado restringiu o acesso das partes ao material apreendido e se promoveu a abertura de envelopes lacrados contendo provas diretamente na unidade judicial, sem a realização de ato formal que permitisse o acompanhamento do Ministério Público e das defesas. As condutas são analisadas sob a perspectiva de eventual violação às garantias do contraditório e da ampla defesa, além da Súmula Vinculante nº 14 do Supremo Tribunal Federal, que assegura aos advogados acesso aos elementos de prova já documentados na investigação.
Caso Zampieri
O assassinato de Roberto Zampieri desencadeou uma das maiores investigações já conduzidas sobre suspeitas de corrupção no sistema de Justiça brasileiro. A perícia realizada no celular do advogado revelou conversas que apontariam um suposto esquema de negociação de decisões judiciais, dando origem a diversas investigações.
As apurações já resultaram, entre outras medidas, no afastamento cautelar dos desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso João Ferreira Filho, Sebastião de Moraes Filho e Dirceu dos Santos, investigados por suspeitas de participação em um esquema de venda de sentenças. As investigações sobre esses fatos seguem em andamento no CNJ e em outros órgãos de controle.
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José 01/07/2026
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