ANA JÁCOMO
DO REPÓRTERMT
O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) incluiu na pauta de sua 10ª Sessão Plenária Virtual o julgamento que vai decidir sobre a prorrogação do prazo para a conclusão do PAD (Processo Administrativo Disciplinar) contra o magistrado Wladymir Perri. A votação, inserida como item 5 da pauta pelo presidente do conselho, ministro Edson Fachin, começará às 12h desta terça-feira (23) e se estenderá até as 16h do dia 30 de junho de 2026.
O procedimento apura supostos desvios de conduta funcional do juiz durante o período em que atuou em processos criminais correlatos ao assassinato do advogado Roberto Zampieri, ocorrido em dezembro de 2023, em Cuiabá. A investigação disciplinar foi aberta após provocação do MPE (Ministério Público Estadual), que contestou o rito adotado pelo magistrado na condução do inquérito de homicídio qualificado.
Entre as principais suspeitas de irregularidade administrativa sob análise do conselho regulador está o acautelamento e o manuseio das provas colhidas pela Polícia Civil. De acordo com os autos do PAD, relatado pelo conselheiro Ilan Presser, o juiz teria confiscado materiais apreendidos, incluindo o aparelho celular da própria vítima, e restringido o acesso das partes interessadas ao conteúdo.
A denúncia aponta ainda que o magistrado teria deslacrado envelopes físicos contendo provas diretamente na unidade judicial, sem a designação de um ato formal que permitisse o acompanhamento e a fiscalização do Ministério Público ou das defesas dos réus.
A conduta é avaliada pelo CNJ como uma possível violação da Súmula Vinculante nº 14 do STF (Supremo Tribunal Federal), mecanismo que assegura aos defensores o amplo acesso aos elementos de prova já documentados na investigação.
A deliberação dos conselheiros nesta semana definirá estritamente a concessão de mais prazo para que a instrução do processo seja finalizada em Brasília antes do julgamento do mérito, que poderá resultar em sanções administrativas ao magistrado.
O caso Zampieri, cuja extração de dados telefônicos gerou o chamado "celular bomba", já provocou o afastamento preventivo dos desembargadores João Ferreira Filho, Sebastião de Moraes Filho e Dirceu dos Santos por suspeitas de venda de sentenças judiciais no Estado.














