DO REPÓRTERMT
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou durante sessão da Segunda Turma da Corte que recebeu uma proposta para a realização de uma “delação seletiva” no âmbito das investigações relacionadas ao caso Master.
Ao relatar o episódio, Mendonça fez referência direta ao ministro Gilmar Mendes e declarou: “Perderam o pudor, ministro Gilmar.” Na sequência, acrescentou: “Me chegou uma proposta por um advogado (...) ‘Queremos fazer uma delação seletiva’.”
Segundo informações divulgadas pela imprensa, a proposta teria sido apresentada pelo advogado Roberto Podval, que deixou a defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro em março deste ano. Mendonça ressaltou que a iniciativa não partiu do advogado José Oliveira Lima, conhecido como Juca, que deixou o caso posteriormente.
De acordo com relatos sobre a reunião, a sugestão envolveria uma colaboração premiada limitada a determinados temas. Mendonça afirmou que rejeitou a ideia e exigiu que qualquer eventual delação abrangesse todos os fatos investigados.
“Não faço questão de delação, agora, delação seletiva comigo, não”, declarou o ministro durante a sessão.
O episódio ocorreu durante o julgamento que analisava a manutenção da prisão do pai de Daniel Vorcaro. Além de Mendonça e Gilmar Mendes, participaram da sessão os ministros Kassio Nunes Marques, Dias Toffoli e Luiz Fux. Durante o debate, Mendonça também afirmou que haveria tentativas de interferir ou desacreditar as investigações.
“Todos nós devemos zelar para evitar ensejarmos não só a nulidade, mas a hipótese de suspeitas sobre a condução (...) E mais que isso, ministro Gilmar: tentativas de obstaculizar as investigações. Isso é grave.”
Sem citar nomes, o magistrado disse ter recebido informações sobre movimentações que buscariam interromper o avanço das apurações relacionadas ao caso. Em outro momento da sessão, Mendonça relembrou uma conversa que teve com Gilmar Mendes antes de chegar ao Supremo e destacou uma resposta dada ao decano da Corte.
“Não tenho medo da morte, quanto mais de ser ministro de um tribunal. Não tenho medo de combater o crime, aplicando a lei.”
As declarações ocorreram horas após o ministro levantar o sigilo de parte das investigações. A medida gerou repercussão nos bastidores do Supremo, onde integrantes da Corte teriam manifestado críticas à condução do caso e ao papel exercido pelo magistrado nas discussões envolvendo uma eventual colaboração premiada.
A defesa de Daniel Vorcaro nega irregularidades e, segundo informações divulgadas pela imprensa, avalia novos caminhos para a estratégia jurídica do ex-banqueiro, sem previsão de apresentar uma nova proposta de delação premiada neste momento.















