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06 de Julho de 2026, 18h:55 - A | A

POLÍCIA / CASO ZAMPIERI

Acusado de mandar matar Zampieri, casal questiona provas e pede mais prazo para analisar processo

Advogados dizem que ainda não tiveram acesso a todos os documentos do processo e pedem mais tempo para apresentar a defesa.

Montagem Repórter MT

Advogados reclamam da quantidade de conteúdo inerentes ao processo para pedir mais prazo à Justiça.

Advogados reclamam da quantidade de conteúdo inerentes ao processo para pedir mais prazo à Justiça.

Vinicius Antonio



A defesa do fazendeiro Aníbal Manoel Laurindo, apontado pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) como um dos mandantes do assassinato do advogado Roberto Zampieri, pediu à Justiça a suspensão do prazo para apresentar a resposta à acusação. O

s advogados alegam que o processo é extenso e que ainda faltam documentos considerados essenciais para a defesa. Segundo a petição, a ação tem mais de 22 mil páginas, envolve vários réus e reúne investigações da Polícia Civil, Polícia Federal e Supremo Tribunal Federal (STF). A defesa afirma que parte das provas ainda não foi disponibilizada ou está incompleta.

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Entre os documentos solicitados está o termo que autorizou o acesso ao celular de Roberto Zampieri. Os advogados querem saber se a extração dos dados foi autorizada pela Justiça ou apenas por um familiar. Caso não tenha havido autorização judicial, eles pretendem questionar a validade das provas.

A defesa também pediu acesso a documentos da perícia feita nos celulares de Aníbal e de sua esposa, Elenice Ballarotti Laurindo, à íntegra de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), além de extratos bancários de Elenice e documentos da empresa Bela Vista Participações Ltda.

Segundo os advogados, esse material pode demonstrar que as movimentações financeiras apontadas pelo Ministério Público estavam ligadas à administração do patrimônio da família, e não ao pagamento dos envolvidos no crime.

Os advogados afirmam que um laudo da Politec, referente à extração de dados dos celulares dos dois acusados, ficou temporariamente indisponível na plataforma onde havia sido disponibilizado, sendo inserido novamente posteriormente. Diante disso, pedem acesso aos registros técnicos da perícia para verificar se o material preservou sua integridade e se a cadeia de custódia das provas digitais foi mantida.

Esses são os motivos pelos quais pedem que o prazo para responder à acusação fique suspenso até que toda a documentação seja disponibilizada.

Defesa de Elenice

Na resposta à acusação, a defesa de Elenice afirma que ela foi incluída no processo apenas por ser esposa de Aníbal e que o Ministério Público não apresentou provas de sua participação no crime. Os advogados alegam que ela sequer foi indiciada durante as investigações e que não surgiram novos elementos para justificar a denúncia.

Sobre as ligações telefônicas feitas após o assassinato, a defesa afirma que a própria Polícia Civil concluiu que o número registrado em nome de Elenice era usado por Aníbal. Em relação às movimentações bancárias, sustenta que o fazendeiro já possuía autorização para movimentar as contas da esposa antes dos fatos investigados.

Os advogados também contestam um PIX de R$ 2 mil enviado ao coronel reformado Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, apontado como intermediador do crime. Segundo a defesa, a transferência foi feita cerca de três meses antes do assassinato e não há prova de ligação com o homicídio. Eles também afirmam que a compra de uma passagem aérea para um amigo de Aníbal não demonstra participação no crime.

O caso

Roberto Zampieri foi assassinado a tiros em 5 de dezembro de 2023, em frente ao escritório onde trabalhava, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá. Segundo o Ministério Público, o crime foi motivado por uma disputa judicial envolvendo a Fazenda Lagoa Azul, também conhecida como Matão, avaliada em cerca de R$ 100 milhões, em Paranatinga (a 385 km de Cuiabá).

De acordo com o Ministério Público, Aníbal e Elenice contrataram os executores e fizeram pagamentos de R$ 124,2 mil antes do crime e outros R$ 60 mil após a morte do advogado. A defesa dos dois nega as acusações.

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