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14 de Maio de 2017, 23h:14 - A | A

PODERES / CELULARES GRAMPEADOS

Zaque diz que deixou governo por falta de ação sobre denúncia

O escândalo dos grampos veio à tona na semana passada, quando vazou na imprensa local, a chegada de uma equipe do Fantástico em Cuiabá, para apurar denúncia de escutas clandestinas

RepórterMT/Reprodução.

Zaque e Taques: guerra declarada na semana passada

Zaque e Taques: guerra declarada na semana passada

DA REDAÇÃO



O promotor de Justiça e ex-secretário de Segurança de MT, Mauro Zaque, após a veiculação do escândalo dos grampos, no Fantástico, da Rede Globo, neste domingo (14), emitiu nota explicando suas razões para a denúncia. 

Zaque disse que, enquanto secretário,  ao tomar conhecimento da existência de supostos grampos, promoveu checagem e constatou que, realmente, autoridades, autônomos, advogados e políticos poderiam estar sendo vítimas do que chamou de esquema criminoso.

O promotor argumentou que, com provas do escândalo, levou ao conhecimento do governador em outubro de 2015 e pediu que os envolvidos fossem

Se a gente permite esse tipo de coisa acontecendo, acaba com gente estirada na rua como víamos na época do Arcanjo. A gente não pode aceitar isso

exonerados de seus cargos, salientando que estariam envolvidos em situação criminosa gravíssima, "longe de ser uma extorsão". 

"Ao perceber que o governador não iria exonerar tais pessoas, decidi deixar o governo e retornar ao Ministério Público". Zaque garantiu que não investigou ou denunciou ninguém, mas que apenas encaminhou o caso ao conhecimento do procurador geral da República para que fosse tomadas as providências cabíveis.

O promotor classificou a situação como "rasteira, covarde e criminosa", que constitui atentado contra toda a sociedade. "Devem ser investigados [os atos] em sua plenitude, e seus autores responsabilizados com rigor", avalia. Zaque encerra a nota para imprensa afirmando ser este um "momento sombrio que manchará para sempre a história de MT".

Ao Zaque acrescentou que "se a gente permite esse tipo de coisa acontecendo, acaba com gente estirada na rua como víamos na época do Arcanjo. A gente não pode aceitar isso, é um abuso, não interessa contra quem seja feito", disse. 

O escândalo dos grampos veio à tona na semana passada, quando vazou na imprensa local, a chegada de uma equipe do Fantástico em Cuiabá, para apurar denúncia de escutas clandestinas. No mesmo dia, o secretário da Casa Civil, Paulo Taques, pediu exoneração do cargo, argumentando que passaria a advogar para o governador neste caso. 

Confira a nota na íntegra:

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Sobre os últimos acontecimentos, preciso considerar os seguintes pontos:

1. enquanto Secretário de Segurança tomei conhecimento da possível existência de grampos clandestinos sendo operados por agentes públicos ligados ao executivo;

2. promovi uma checagem inicial e constatei que realmente autoridades, advogados, autônomos, políticos poderiam estar sendo vítimas desse esquema criminoso;

3. com documentação probatória, levei os fatos ao conhecimento do Governador Pedro Taques no início de outubro de 2015, ao mesmo tempo em que solicitei a exoneração imediata dos possíveis envolvidos;

(Solicitar a exoneração daqueles possíveis envolvidos em uma situação criminosa gravíssima como essa, longe de se configurar extorsão, constitui DEVER de todo agente público.)

4. ao perceber que o Governador Pedro Taques não iria exonerar tais pessoas, decidi então deixar o Governo e retornar ao MP;

5. cumpri com o meu dever de Secretário, de Promotor e de cidadão. Não investiguei ou sequer acusei ninguém. Submeti à apreciação de sua Excelência o Procurador-Geral da República para as providências que entender pertinentes.

6. eu jamais me permitiria pactuar com ações tão rasteiras, covardes e, por que não dizer, criminosas (grampear advogados, políticos, etc...).

Finalmente, tais atos constituem um atentado contra toda a sociedade, devem ser investigados em sua plenitude e responsabilizados os autores com todo rigor.

 

Este é um momento sombrio que manchará para sempre a história de Mato Grosso.

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Fábio 15/05/2017

O chamado Direito Subterrâneo. Vc inicia uma investigação clandestinamente e quando tem alguns elementos cria uma situação para iniciar uma investigação que nasceu da prova ilícita. Dá-se ao processo ares de legalidade. Provavelmente é o que deve ter ocorrido aos adversários do governador, sem contar que essas escutas podem servir de base para chantagem, inclusive contra o próprio grupo. Não seria por isso que o Mauro Mendes deixou a campanha para o Wilson Santos e agora desistiu da candidatura ao governo? Nunca saberemos.

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1 comentários