ALCIONE DOS ANJOS
DA REDAÇÃO
As defesas dos réus na ação criminal decorrente das segunda e terceira fases da Operação Sodoma devem apresentar as alegações finais do processo até sexta-feira (2). A determinação foi feita pelo juiz Jurandir Florêncio de Castilho Júnior, em substituição legal à juíza titular da Sétima Vara Criminal de Cuiabá, Selma Arruda, no dia 18. No despacho, o magistrado deu 15 dias de prazo para os advogados.
A fase de alegações finais é a penúltima do processo, que se encerra com a sentença proferida pelo juízo que irá ocorrer ao término da instrução processual. Por isso, a expectativa é de que estas duas fases da Operação Sodoma terminem ainda este ano.
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Nestas duas fases são apurados pagamentos de propinas em contratos firmados entre o Estado e empresas por meio de desvios de recursos públicos, fraudes e licitações durante a gestão Silval Barbosa (PMDB).
De acordo com os indícios apurados pela Delegacia Especializada de Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública (Defaz), na segunda fase da operação, que foi desencadeada em 11 de março, a compra, por R$ 13 milhões, de um terreno na Avenida Beira Rio, que pertencia ao empresário André Maggi, filho do ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), foi feita de forma fraudulenta. A negociação foi realizada entre o ex-secretário de Administração, Cezar Zílio, o arquiteto José da Costa Marques e o empresário Willians Mischur.
Logo depois, no dia 22 de março uma ação da Defaz teve como alvo Silval Barbosa, o ex-secretário de Administração, Pedro Elias Domingos, e o ex-chefe de gabinete de Silval, Silvio Cezar Correa de Araújo. Passados mais de 30 dias, surge nova ação, no dia 25 de abril, quando foi cumprido mandado de prisão contra o médico Rodrigo Barbosa, filho de Silval. A operação culminou em novo mandado de prisão contra o ex-governador e os dois ex-secretários. Nesta operação, Silval aparece pela primeira vez como agente ativo no esquema de corrupção.
Réus
A lista é grande de réus na ação: O ex-governador Silval Barbosa; o filho dele, Rodrigo Barbosa; o ex-chefe de gabinete de Silval, Sílvio Corrêa; o ex-secretário-chefe da Casa Civil, Pedro Nadaf; o ex-secretário de Fazenda, Marcel de Cursi; os ex-secretários de Administração, César Zílio e Pedro Elias Domingos; o ex-adjunto de Administração, José Nunes Cordeiro; o ex-deputado José Riva; o ex-prefeito de Várzea Grande, Walace Guimarães (PMDB); o procurador aposentado, Francisco Lima, o Chico Lima; o advogado Bruno Saldanha; os empresários Antônio Roni de Liz, Evandro Gustavo Pontes, Fábio Drumond Formiga e Tiago Dorilêo e a ex-secretária de Pedro Nadaf, Karla Cecília de Oliveira.
Delações premiadas
O empresário Mischur, chegou a ser preso na segunda fase da operação, firmou termo de colaboração com o Ministério Público Estadual (MPE) e revelou que pagava R$ 500 mil de propina ao grupo político que comandava o Estado, para que pudesse manter o contrato da empresa Consignum para gerenciar empréstimos realizados por servidores públicos.
Na terceira fase da Sodoma, o ex-secretário de Administração, Pedro Elias, também foi detido e firmou acordo de delação. Revelou que o filho do ex-governador, o médico Rodrigo Barbosa, também recebia propina de empresários que firmavam contratos com o Governo. Rodrigo foi preso na quarta fase da operação.
César Zílio e o empresário Júlio Minori, proprietário da Web Tech Softwares e Serviços, também firmaram acordo de delação premiada e revelaram detalhes sobre os esquemas apurados nessas fases da Sodoma. Zílio confirmou que Silval seria o líder do esquema e confessou que o grupo que estava no Executivo estadual recebia propinas para manter contratos.
Permanecem presos Silval Barbosa, Chico Lima, Marcel de Cursi e José Nunes Cordeiro.














