RAFAEL DE SOUSA
DA REDAÇÃO
A denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) sobre a suposta compra de vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE) revela que o pagamento ilícito de R$ 2,5 milhões, em troca da “cadeira vitalícia” do conselheiro aposentado, Alencar Soares, ocorreu dentro do gabinete dele, na sede da tribunal.
O valor pago, segundo a denúncia, faria parte dos R$ 12 milhões que tinha sido negociado com várias autoridades do Estado.
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“Para concretizar a barganha, o então secretário de Estado, Éder Moraes, chamou Júnior Mendonça na secretaria de Fazenda para resolver a pendência (adiamento/pagamento) referente à compra da vaga que Blairo Maggi teria determinado que fosse resolvida. Júnior Mendonça, então, preencheu o cheque de R$ 2,5 milhões da Amazônia Petróleo”, disseram os promotores.
Em seguida, “de posse deste cheque já preenchido, Júnior Mendonça foi juntamente com Éder Moraes” até o gabinete do então conselheiro para pagar parte do acordo.
“Estavam ali para honrar um compromisso do [ex] governador Blairo Maggi, oportunidade em que o cheque foi entregue a Alencar Soares, isto em meados de 2009”, apontou a denúncia.
O delator Júnior Mendonça contou que, a partir daí, Alencar Soares "recuou, momentaneamente, do seu pedido de aposentadoria, concretizando-o bem depois".
Depois disso, Júnior Mendonça conta que “foi procurado pelo conselheiro Alencar Soares, que pediu para que ele fosse até o gabinete dele com a finalidade de trocar a forma de pagamento e fazer a devolução do cheque".
"Nesta oportunidade, Júnior Mendonça foi orientado por Alencar Soares a realizar depósito daquela quantia em parcelas fracionadas e em contas separadas, com depósitos que beneficiariam Sérgio Ricardo na compra de uma emissora de rádio e televisão, em dezembro de 2009", destacou os promotores.
Em 2010, segundo o MPE, Sérgio e Riva teriam procurado Mendonça para um empréstimo de R$ 4 milhões, que seriam divididos entre ambos.
Para os promotores, esse foi o dinheiro usado por Sérgio Ricardo para comprar, definitivamente, a vaga.
“Esse imoral pagamento por pedido de aposentadoria, correspondendo à compra de uma vaga no Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso”, disse Ministério Público, em denúnca à Vara Especializada do Patrimônio Público de Cuiabá.
Outro lado
O ex-conselheiro Alencar Soares e o ex-secretário Éder Moares não foram localizados para comentar a denúncia do MPE.
O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, por meio da sua página no Facebook, afirmou que foi inocentado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, no âmbito das investigações da Operação Ararath, e, também, após as investigações criminais contra ele terem sido arquivadas pelo Supremo Tribunal Federal.
A assessoria jurídica do ex-deputado José Riva afirmou que ele não vai se pronunciar sobre o assunto.
Em nota, Sergio Ricardo reitera que não praticou qualquer ato ilícito e que o processo de indicação para o cargo de conselheiro, além de ter sido público, com ampla votação na Assembleia, seguiu rigorosamente todos os trâmites legais.
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alexandre 20/01/2017
ficou feio pro TCE....
1 comentários