RepórterMT

Dernardi prestou depoimento nesta sexta-feira (2) em sessão comandada pelo juiz Murilo Mesquita.
RAUL BRADOCK
DA REPORTAGEM
O ex-comandante-geral da Polícia Militar de Mato Grosso, coronel Nerci Denardi, disse que o núcleo de espionagem que grampeou jornalistas, políticos, magistrados, empresários e agentes públicos no Estado foi montado clandestinamente, sem seu conhecimento. Ele comandou a instituição entre os anos 2013 e 2015.
“Não tinha conhecimento do núcleo de inteligência. Não passou pelo conhecimento do Comando Geral da PM. Esse núcleo foi feito clandestinamente”, disse Denardi.
Denardi foi ouvido na manhã desta sexta-feira (2), na 11ª Vara de Justiça Militar de Cuiabá, em sessão comandada pelo juiz Murilo Mesquita.
>>> Receba as principais notícias de Mato Grosso em primeira mão. Clique aqui!
O ex-comandante foi arrolado como testemunha de defesa do cabo da PM Gerson Correa, considerado a peça principal no esquema de escutas iliegais no âmbito da Polícia Militar de Mato Grosso.
“Não tinha conhecimento do núcleo de inteligência. Não passou pelo conhecimento do Comando Geral da PM. Esse núcleo foi feito clandestinamente”, disse Denardi, se referindo ao chamado Sistema Sentinela, operado por policiais militares em uma sala alugada em um prédio da capital.
Todas as testemunhas ouvidas até o momento confirmaram ser o cabo o principal mandante da operação, uma vez que todas as instruções que recebiam para atuar nas escutas pelo Sistema Sentinela, partiam de Gerson.
Os juízes militares chegaram a afirmar que o cabo “ultrapassou ordens de coronéis e, por isso, não poderia ser solto”. Gerson também era o responsável pelos pedidos de autorização judicial para “grampear” telefones.
O esquema
Os telefones foram interceptados com autorização judicial. Os documentos pedindo à Justiça autorização para isso foram assinados pelo cabo da PM, Gerson Luiz Ferreira Correia Júnior, numa suposta investigação de crimes cometidos por PMs. No entanto, foram juntados os telefones de quem não era suspeito de crime algum, numa manobra chamada “barriga de aluguel”.
O caso foi denunciado pelo promotor de Justiça Mauro Zaque. Em depoimento encaminhado à Procuradoria-Geral da República, ele afirmou que, naquele ano, ouviu o coronel Zaqueu Barbosa, comandante da PM à época, dizer que as interceptações telefônicas eram feitas por determinação de Pedro Taques (PSDB). Zaque alega ainda que levou o assunto ao governador, que ficou constrangido, mas não fez nenhum comentário.
Leia mais
Coronéis afirmam que cabo fica preso por ter mais culpa que ex-comandante
Ex-comandante da PM ganha liberdade por decisão de coronéis
PM que instalou escutas recebeu ordem para esconder sistema e alinhar depoimento
Testemunha diz que cabo falava da vida íntima de deputada e governador















Celso 04/03/2018
Quer dizer que toda interceptação telefônica criminosa tem como mandante um “cabo”. O aparelho foi comprado por oficiais do alto comando, mas quem mandava era o Cabo...Faz me rir!!!
1 comentários