CAROL SANFORD
DA REPORTAGEM
O juiz da 11ª Vara Militar, Murilo Mesquita, deu sequência, na tarde desta sexta-feira (9) aos depoimentos de militares que atuaram no esquema de interceptações telefônicas clandestinas, operadas pela Polícia Militar. Durante oitiva, o cabo Euclides Torezan revelou ter sido procurado pelo coronel Ronelson Barros para que “alinhassem” os depoimentos.
Torezan contou ter sido o responsável pela estruturação do Sistema Sentinela, utilizado para os “grampos”. No entanto, segundo ele, Barros teria orientado que o sistema não deveria “aparecer”.
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“Eu não sei o motivo porque não era para citar o Sentinela. Mas, não poderia seguir essas orientações porque a sargento Andrea tinha citado meu nome, como um dos responsáveis pelo sistema”, contou o cabo.
Ele assegurou que nunca teve acesso às escutas clandestinas, tendo ficado responsável apenas pela estruturação de informática da ferramenta. Cada pessoa teria uma senha de uso pessoal e a operacionalização do sistema era de responsabilidade do cabo Gerson Luiz Ferreira.
O policial foi questionado pelo Ministério Público do Estado (MPE) se não estranhava o fato de tal atividade ficar sob responsabilidade de um cabo, no caso Gerson. Torezan explicou que Gerson se destacava no meio há muitos anos, tendo exímio conhecimento na área de interceptações telefônicas, por isso não estranhou o fato de que o cabo era o operador do Sentinela.
Andrea Cardoso
A terceiro sargento da PM, Andrea Cardoso, também prestou depoimento ao juiz da 11ª Vara Militar. Ela relatou que chegou a temer por sua vida e de seus familiares após a repercussão das escutas clandestinas.
“Meu nome foi divulgado e tive medo por mim e minha família, sim”, pontuou ela, negando ter sido ameaçada diretamente por qualquer um dos réus no esquema.
Foram acusados como principais envolvidos no esquema, o ex-comandante-geral da PM, Zaqueu Barbosa, o cabo Gerson Luiz Ferreira, os coronéis Evandro Lesco, Ronelson Barros e Januário Batista. Apenas Zaqueu e Gerson continuam presos.
A militar contou ter sido chamada para atuar nas escutas telefônicas, referentes a investigações de policiais militares envolvidos em crimes e presidiários. Ela começou a atuar no início de 2014, em um escritório na região central de Cuiabá, e permaneceu até agosto de 2015.
Depois os trabalhos seguiram em sua casa, uma vez que o escritório teria sido desativado. Ela contou nunca ter desconfiado que os trabalhos era ilegais, uma vez que tinham autorizações judiciais.
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