CAROL SANFORD
DA REDAÇÃO
Os coronéis, definidos em sorteio pela Justiça, como juízes militares do caso que apura a participação de policiais acusados de participar do esquema de interceptações telefônicas clandestinas, consideraram a participação do cabo da PM, Gerson Luiz Ferreira, muito mais abrangente que dos demais envolvidos. Por esse motivo, mantiveram a prisão do militar e votaram pela soltura do ex-comandante da PM, coronel Zaqueu Barbosa, que passa a cumprir prisão domiciliar.
"O coronel tem mais crimes que ele e foi concedida a soltura, a liberdade dele. O Gerson tem dois crimes só, imputados a ele. O coronel tem mais e conseguiu liberdade”, disse o advogado do cabo Gerson.
As decisões ocorreram na última sexta-feira (9), após serem ouvidas várias testemunhas do caso dos grampos.
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Os coronéis Elielson Metelo de Siqueira, Valdemir Benedito Barbosa, Luís Claudio Monteiro da Silva e Renato Antunes da Silveira Júnior julgam o caso ao lado do juiz da 11ª Vara Criminal Militar, Murilo Mesquita, e apontaram que apesar de Gerson estar em patente inferior, ele seria o principal responsável por tomar todas as decisões em relação aos “grampos”.
“Acho que a participação dele é bem superior que a do Zaqueu”, afirmou um dos juízes militares, referindo-se à citação ao nome do cabo por todas as testemunhas ouvidas.
Em depoimentos, a sargento Andrea Cardoso e os cabos Euclides Torezan e Cleiton Dorileo apontaram Gerson como responsável pela operação de todo o esquema, durante atuação do setor de inteligência em um escritório na região central de Cuiabá.
Todos confirmaram ser o cabo, o principal mandante da operação, uma vez que todas as instruções que recebiam para atuar nas escutas pelo Sistema Sentinela, equipamento que faz as interceptações telefônicas, partiam de Gerson. As testemunhas ainda disseram nunca ter visto Zaqueu no escritório.
Os juízes militares chegaram a afirmar que o cabo “ultrapassou ordens de coronéis e, por isso, não poderia ser solto”. Gerson também era o responsável pelos pedidos de autorização judicial para “grampear” telefones.
Na denúncia feita pelo promotor Mauro Zaque, os “grampos” tinham como alvos jornalistas, políticos, magistrados, empresários e agentes públicos.
Defesa de Gerson
O advogado de defesa do cabo, Neyman Monteiro afirmou que nos próximos dias entrará com pedido de habeas corpus, buscando novamente a revogação da prisão preventiva de Gerson.
Monteiro chegou a insinuar que a decisão dos juízes militares, em favor apenas de Zaqueu, pode ter sido influenciada pelo fato de que todos são coronéis. Apesar dos militares negarem qualquer corporativismo em prol do colega preso.
“Eu não quero me manifestar nessa situação, mas fica a critério de vocês. O coronel tem mais crimes que ele e foi concedida a soltura, a liberdade dele. O Gerson tem dois crimes só, imputados a ele. O coronel tem mais e conseguiu liberdade”, disse o advogado.
No momento, segundo ele, a defesa ainda não avalia a possibilidade de Gerson buscar acordo de delação premiada.
“Agora não está se pensando nisso. Temos que sentar com ele com mais calma, após levar uma paulada dessas”, concluiu o advogado.















