CELLY SILVA
DA REDAÇÃO
O ex-assessor parlamentar do deputado estadual Romoaldo Júnior (PMDB), Francisvaldo Mendes Pacheco, será ouvido na condição de réu pela juíza Selma Arruda, na 7ª Vara Criminal de Cuiabá, na tarde desta segunda-feira (6), na ação penal decorrente da Operação Filhos de Gepeto, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), em outubro do ano passado.
A operação é um desdobramento da operação Ventríloquo, deflagrada em julho de 2015 e que levou para a cadeia o ex-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, José Riva, acusado de compor organização criminosa que teria desviado R$ 9,4 milhões dos cofres da AL por meio de um pagamento de dívida com o banco HSBC, entre os meses de fevereiro e abril de 2014.
>>> Clique aqui e receba notícias de MT na palma da sua mão
Francisvaldo é acusado pelo Ministério Público Estadual (MPE) dos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Ele teria recebido R$ 1,5 milhão como parte do desvio na Assembleia, valor que teria como destinatário final o deputado Romoaldo Júnior, que responde ao processo, juntamente com os deputados Mauro Savi (PSB) e Gilmar Fabris (PSD), no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), por conta do foro privilegiado por prerrogativa do cargo que exercem.
A acusação do recebimento de R$ 1,5 milhão pelo parlamentar já havia sido feita por José Riva, durante audiência de instrução referente à operação Ventríloquo, em junho do ano passado, ocasião em que também “entregou” nomes de outros deputados que teriam recebido parte do dinheiro desviado.
Também são acusados de compor a organização criminosa os advogados Júlio César Domingues Rodrigues e Joaquim Fábio Mielli, o ex-procurador-geral da Assembleia Anderson Flávio de Godoi (que atualmente é procurador-geral do Município de Rondonópolis), o ex-servidor da Assembleia Luiz Márcio Bastos Pommot.
Para a audiência desta sexta-feira, Francisvaldo deve ser ouvido após a testemunha arrolada tanto pela acusação quanto pela defesa. Trata-se do empresário Rodrigo Santiago Frison, dono da Canal Livre Comércio e Serviços Ltda.
No final de 2015, ele já chegou a testemunhar em audiência relativa à primeira fase da operação Ventríloquo e declarou que a conta bancária de sua empresa recebeu um depósito de R$ 240 mil do advogado Joaquim Fábio Mielli (que representava o Banco HSBS). O dinheiro seria referente à quitação de um empréstimo concedido por ele à Francisvaldo Pacheco.
Também estavam previstas as oitivas do irmão do deputado Romoaldo Júnior, Juliano Jorge Boraczynski e do empresário Fernando Luiz Piran, que atua no ramo de factoring. No entanto, o oficial de justiça não conseguiu intimar nenhum deles, conforme consta nos autos do processo.
Francisvaldo havia solicitado ainda que seu ex-chefe, deputado Romoaldo Júnior, pudesse depor em seu favor, o que foi indeferido pela juíza Selma Arruda, uma vez que o parlamentar é corréu pelos mesmos fatos, em ação que tramita no Tribunal de Justiça.
Leia também:
Juíza proíbe ex-chefe de gabiente de deputado de curtir festas em sítio
Assessor de Romoaldo virá em ação sobre desvio de R$ 9,4 milhões; deputado é investigado
Riva pediu para delator não entregar Romoaldo Júnior à Justiça, diz Gaeco
Advogados delataram esquema de deputados com HSBC por causa de calote de de R$ 2,2 milhões
Delatores chamam Romoaldo de 'picareta', dizem que Riva 'manda' e Savi 'levou'
Gaeco deflagra operação e prende chefe de gabinete de deputado Romoaldo Júnior














