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Cuiabá, 25 de Junho de 2026
25 de Junho de 2026

23 de Junho de 2016, 17h:36 - A | A

JUDICIÁRIO / "BOMBA DA VENTRÍLOQUO"

Riva diz que Romoaldo recebeu R$ 1,5 milhão e compromete outros 4 deputados

Riva disparou que os deputados Guilherme Maluf (PSDB), Gilmar Fabris (PSD) e a então deputada Luciane Bezerra (PSB) também teriam sido beneficiados pelo esquema, que teria sido 'conduzido' pelo deputado Mauro Savi (PSB).

CELLY SILVA
DA REPORTAGEM



Já no início de seu depoimento à juíza Selma Rosane Santos Arruda, na tarde desta quinta-feira (23), o ex-deputado José Riva, que responde como réu na ação criminal que investiga o desvio de R$ 9,4 milhões da Assembleia Legislativa, disse à magistrada que o deputado Romoaldo Júnior (PMDB) teria recebido R$ 1,5 milhão do dinheiro desviado.

Contradizendo uma série de afirmações do secretário legislativo, Odenil Rodrigues, que acabou de prestar depoimento à juíza, Riva disparou que os deputados Guilherme Maluf (PSDB), Gilmar Fabris (PSD) e a então deputada Luciane Bezerra (PSB) também teriam sido beneficiados pelo esquema, que teria sido 'conduzido' pelo deputado Mauro Savi (PSB).

Segundo Riva, os deputados teriam recebido através de ‘laranjas’ como Odenil, que conforme o ex-deputado, teria repassado os R$ 50 mil depositados na conta dele, diretamente para Maluf. À juíza, Odenil disse que apenas teria emprestado a conta por temer ser demitido e que, sem saber o destino do dinheiro, teria sacado o montante e repassado ao também servidor Anderson Godoi.

Enfático, o ex-deputado entregou à magistrada uma lista de valores que o advogado Joaquim Mieli, delator do processo, teria pago a várias pessoas e empresas, que seriam os laranjas.

Riva declarou que ele recebeu R$ 806 mil e que usou o dinheiro para pagar dívidas. Ele ainda ressaltou que sempre foi muito comum os deputados receberem dinheiro através das contas bancárias de assessores para pagar dívidas.

Segundo Riva, o dinheiro do esquema teria sido dividido em 18 cheques, mas que é preciso pedir a microfilmagem para relacionar todos os envolvidos, pedido que foi acatado pela magistrada e cujo material será analisado na fase de diligências. 

À magistrada, Riva ainda sugeriu uma acareação com o delator da Operação Ventríloquo, o advogado Joaquim Mieli, que segundo ele, queria que a Assembleia pagasse o Banco HSBC para ‘tirar vantagem’.

O CASO

A ação criminal é decorrente da operação Ventríloquo, deflagrada em julho do ano passado pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), que investiga o desvio de R$ 9,4 milhões da Assembleia Legislativa por meio de um pagamento de uma dívida junto ao Banco Bamerindus (atual HSBC), no ano de 2014.

Mielli era advogado do banco Bamerindus (atual HSBC) na época em que houve o esquema de desvio de dinheiro público no pagamento de uma dívida de R$ 5 milhões da ALMT com o banco. Após realizar acordo e receber o dinheiro da Assembleia, Mielli não teria repassado o dinheiro para o banco. 

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