CELLY SILVA
DA REDAÇÃO
Os dois delatores da operação Ventríloquo, os advogados Júlio César Domingues Rodrigues e Joaquim Fábio Mielli Camargo, que representavam a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e o banco HSBC, respectivamente, na transação feita em 2014 e que viabilizou o desvio de R$ 9,4 milhões, tinham expectativa de receber somas milionárias com a negociata, o que ficou evidente no trecho de uma conversa gravada por Júlio César em 5 de maio de 2014.
Joaquim Mielli afirmou que iria receber R$ 640 mil, mas que tinha negociado 20% desse valor para outras pessoas e, com isso, sobraria R$ 512 mil para ele. Na conversa, ele também fala que repassaria R$ 250 mil para Júlio César, que responde com ar de desapontamento. Veja:
Joaquim: Disso aqui, eu negociei com o banco pra você 50%, duzentos e cinquenta.
Júlio: Duzentos e cinquenta mil?
Joaquim: Eu tinha perspectiva de ganhar aqui, Júlio, R$ 1,2 milhão, no começo. Perspectiva do caramba. E você tinha R$ 1 milhão que você me falou, quero um milhão nesse negócio, mas não...Tanto pro cliente, dos dois lados...É que eu não te informo das minhas negociações do outro lado aqui porque se eu te informasse, você ia falar: “Esses caras são pior que eu”. E são mesmo. Eles gostam de dinheiro tanto quanto, entendeu. E eu não posso... Então, isso é o que eu negociei com eles e essa aqui vai ser minha parte líquida que eu vou levar. Tô até com vontade de peitar esses caras... Esses 20% que dá R$ 128 mil, eu posso até dar uma apertada neles e cobrar deles, entendeu?
Júlio: 20% do quê?
Joaquim: Que eu tenho que passar pras meninas, 15% pra um a e 5% pra outra. Tem que chegar e falar: Ó Riva, vocês que falam que fazem e que acontecem, vocês que resolvem lá dentro, eu tenho meu pessoal...
Apesar de ter firmado acordo de delação premiada com o Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), no ano passado, Joaquim Mielli está prestes a perder esse benefício e se transformar em réu na ação penal que tramita na Sétima Vara Criminal de Cuiabá. Isso porque o outro delator, Júlio César Domingues, entregou diversas gravações que comprovam que Mielli ocultou informações importantes para as investigações, como o envolvimento do deputado estadual Romoaldo Júnior (PMDB).
Na operação "Filhos de Gepeto", deflagrada na última quarta-feira (04), ele seria preso, mas o fato de seu acordo de delação ainda estar vigorando, o Gaeco não pôde requerer a prisão dele, mas já iniciou o processo de revogação do acordo junto ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
Ouça a conversa na íntegra:
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