CELLY SILVA
DA REDAÇÃO
O advogado Joaquim Fábio Mielli Camargo, que em 2014 representava o banco HSBC na cobrança de uma dívida da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), que culminou com o desvio de R$ 9,4 milhões e a operação Ventríloquo, em 2015, teria sido preso na operação Filhos de Gepeto, deflagrada nesta quarta-feira (05), pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), se não fosse o acordo de delação premiada que firmou na primeira fase da investigação.
O MPE solicitou a quebra do acordo para que ele passe de colaborar para réu na ação, que corre na Sétima Vara Criminal de Cuiabá. O motivo disso é o fato dos promotores terem descoberto que Fábio Mielli mentiu em suas declarações
Por conta disso, o Ministério Público Estadual (MPE) solicitou a quebra do acordo por falsa colaboração, para que ele passe de colaborar para réu na ação, que corre na Sétima Vara Criminal de Cuiabá. O motivo disso é o fato dos promotores terem descoberto que Fábio Mielli mentiu em suas declarações, na tentativa de ocultar a participação do então presidente da Assembleia Legislativa na época dos fatos, o deputado Romoaldo Júnior (PMDB), bem como seu chefe de gabinete, Francisvaldo Mendes Pacheco, preso na tarde desta quarta. O parlamentar também seria preso, caso não possuísse foro privilegiado.
De acordo com a denúncia apresentada à juíza Selma Rosane Santos Arruda, o avanço das investigações revelaram que, em maio de 2015, Fábio Mielli alegando querer colaborar com a Justiça, revelou informações inverídicas sobre a estrutura da organização criminosa, o que o “livrou” de responder como réu por meio do acordo de delação firmado com o Gaeco.
O acordo foi firmado porque Mielli foi o único dos investigados que colaborou, entregando documentos e declarações que permitiram a identificação de outros envolvidos, bem como a participação de cada um na hierarquia na organização criminosa composta por deputados e servidores da Casa de Leis.
Ocorreu que outro investigado, o advogado Júlio César Domingues Rodrigues, que representava a ALMT na época dos fatos, também firmou acordo de delação premiada e apresentou provas “incontestáveis” de que Fábio Mielli ocultou, propositalmente, o envolvimento do deputado Romoaldo Júnior e de seu assessor Francisvaldo Pacheco.
“Ao celebrar sua colaboração, JOAQUIM em NENHUM momento relatou qualquer envolvimento do Deputado Estadual ROMOALDO ALOISIO BORACZYNSKI JÚNIOR ou de seu chefe de gabinete FRANCISVALDO PACHECO. Da mesma forma, quando da audiência judicial que antecedeu a homologação do acordo, ratificou seu conteúdo, e, da mesma forma, deixou de mencionar o envolvimento dos indigitados, fato este de suma importância, o que demonstra sua inequívoca reserva mental”, diz trecho da denúncia assinada pelos promotores Samuel Frungilo, Marcos Bulhões, Carlos Roberto Zarour, Marco Aurélio de Castro e Antônio Sérgio Piedade.














