Cuiabá, 22 de Setembro de 2026
XX°C
RepórterMT - Notícias de Mato Grosso e Cuiabá Hoje
22 de Setembro de 2026

17 de Julho de 2019, 11h:55 - A | A

PODERES / ESCUTAS ILEGAIS

Deputados querem CPI dos grampos; Botelho irá convocar chefe do MPE

Procurador-geral de Justiça, José Antônio Borges será convocado pela Assembleia sobre possível envolvimento de promotores no esquema conhecido como “Grampolândia Pantaneira”

RepórterMT

Presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Eduardo Botelho (DEM)

Presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Eduardo Botelho (DEM)

MARCIO CAMILO
DA REDAÇÃO



O presidente da Assembleia Legislativa, Eduardo Botelho (DEM) admitiu que existe um grupo de deputados articulando para propor uma CPI [Comissão de Inquérito Parlamentar] sobre as escutas telefônicas clandestinas que ocorreram em Mato Grosso, na gestão do ex-governador Pedro Taques (PSDB) e que, de acordo com os réus, teria tido a participação de promotores do Ministério Público Estadual (MPE) no esquema.

"Existe um sentimento de alguns deputados de fazer uma CPI, e eu pedi para aguardarem, pois nós vamos pedir visita [na Assembleia] do procurador-geral [José Antônio Borges] para fazer alguns esclarecimentos aos deputados para tomarmos uma decisão depois", disse em conversa com a imprensa na Assembleia, na manhã desta quarta-feira (17).

>>> Receba as principais notícias de Mato Grosso em primeira mão. Clique aqui!

Botelho, no entanto, não disse os nomes dos parlamentares que querem a CPI.

Na noite de terça-feira (16), durante sessão, a deputada Janaina Riva (MDB), que foi alvo dos grampos, pediu que o chefe do MPE preste esclarecimentos ao Parlamento, sobre o possível envolvimento de promotores nos grampos ilegais.

"Existe um sentimento de alguns deputados de fazer uma CPI, e eu pedi para aguardarem, pois nós vamos pedir visita [na Assembleia] do procurador-geral [José Antônio Borges] para fazer alguns esclarecimentos aos deputados para tomarmos uma decisão depois", declarou Botelho.

“Uma instituição que deveria constitucionalmente zelar pelos direitos dos cidadãos, teria patrocinado os grampos ilegais e violado o direito fundamental à privacidade de centenas de pessoas incluindo eu. Os fins justificam os meios? Quem são os mocinhos e quem são os bandidos?”, declarou na tribuna da Assembleia.

Botelho ainda marcará a data de convocação do procurador-geral de Justiça, na Assembleia, para esclarecer os fatos.

O cabo da Polícia Militar, Gerson Correa Junior, que é apontado como operador das escutas telefônicas ilegais em Mato Grosso, afirmou ter provas materiais contra os promotores de Justiça Marco Aurélio e Samuel Frungilo, que teriam feito “barriga de aluguel” para investigar clandestinamente a deputada estadual Janaina Riva (MDB), em 2015 (leia mais aqui).

Esquema

O esquema de grampos teria sido realizado entre o período eleitoral de 2014 e o final de 2016. A deputada estadual Janaina Riva (MDB), o advogado eleitoral José do Patrocínio, o desembargador aposentado José Ferreira Leite, o jornalista José Marcondes “Muvuca”, a publicitária Tatiana Sangalli, entre outros, tiveram seus números de telefone incluídos indevidamente em operações policiais.

Em depoimentos anteriores, o cabo Gerson Corrêa Júnior já havia confessado sua participação nas interceptações telefônicas ilegais e afirmado que o ex-secretário-chefe da Casa Civil e o ex-governador Pedro Taques (PSDB) seriam os “donos” do esquema. Gerson prestou vários depoimentos ao juiz Murilo Moura Mesquita, na 11ª Vara Militar de Cuiabá.

Comente esta notícia