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12 de Março de 2019, 10h:29 - A | A

PODERES / CRISE ENTRE PODERES

Deputados podem derrubar veto de Mendes a emendas de R$ 128 milhões

Apesar da aprovação da PEC que prevê a obrigatoriedade do Governo pagar as emendas, o governador destaca que o Estado não tem condições de cobrir o montante milionário.

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Governador Mauro Mendes alega que pagar as emendas está além da capacidade financeira do Estado.

Governador Mauro Mendes alega que pagar as emendas está além da capacidade financeira do Estado.

MARCIO CAMILO
DA REDAÇÃO



Deputados estaduais articulam derrubar os vetos do governador Mauro Mendes (DEM) a 69 emendas impositivas, que somam R$ 128, 3 milhões, a serem incluídas no orçamento anual do Estado de 2019. A situação gera a primeira crise entre os poderes Legislativo e Executivo do Estado, neste mandato.

Os vetos constam na Mensagem de número 52, publicada pelo governador no Diário Oficial do Estado, que circulou no sábado (09).

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Os deputados argumentam que a medida do governador é contrária à PEC 5/2018, que garante que emendas impositivas estejam previstas no orçamento anual do Estado.

O veto pegou de surpresa até o líder do Governo na Assembleia, o deputado Dilmar Dal Bosco (DEM).

Ele destacou que ainda está se inteirando do assunto e que irá se reunir com o governador, com o objetivo de passar uma posição aos demais deputados.

“Pedi para minha assessoria levantar o conjunto de emendas que foram vetadas e vou discutir essa situação com o Mauro, antes de repassar qualquer coisa aos demais parlamentares”, disse.

Ao vetar as emendas, o governador argumentou que boa parte delas fere a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

Sem caixa

Ponderou que de fato existe uma lei na Constituição Estadual que determina que as emendas serão aprovadas no limite de 1% da Receita Corrente Liquida (RCL) realizada no exercício anterior.

No entanto, Mendes lembrou que esse disposto pode deixar de ser cumprido, quando constatado que o montante previsto “poderá resultar no não cumprimento das metas fiscais estabelecida na Lei de Diretrizes Orçamentárias, “situação em que as emendas parlamentares poderão ser reduzidas em até 50% sobre o conjunto das despesas discricionárias”.

“Consoante se depreende do dispositivo acima transcrito, as emendas impositivas deixam de ser obrigatórias na hipótese em que a sua execução implicar no descumprimento das metas fiscais”, enfatizou o governador na Mensagem aos deputados estaduais, justificando o veto das emendas.

Mendes destacou que se as emendas forem incluídas na lei orçamentária elas irão elevar o déficit primário das contas públicas em R$ 1, 4 bilhões: “Portanto, a execução das emendas impositivas poderá resultar no não cumprimento das metas fiscais estabelecidas na Lei nº. 10.835/2019 (LDO/2019)”.

Segundo o Governo, o total das emendas está além da capacidade financeira do Estado, “bem como não guardam compatibilidade com o quadro fiscal evidenciado no orçamento geral do Estado de Mato Grosso de 2019, cuja insuficiência orçamentária totaliza R$ 1.685.901.157,00”.

“Embora possa reconhecer que a atitude dos parlamentares seja louvável, pois busca aproximar e criar mecanismos com possibilidade de manifestação direta da sociedade na formulação de políticas públicas, ao contrariar dispositivos constantes das Emendas Constitucionais nº. 81 e 82, atrelada a situação deficitária das contas públicas estaduais, as alterações propostas devem ser vetadas”, concluiu o governador.

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