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09 de Março de 2018, 09h:55 - A | A

PODERES / GRAMPOLÂNDIA

Delegada nega ter contado sobre esquema a promotor Mauro Zaque

A delegada Alessandra Saturnino de Souza afirmou ao magistrado que antes mesmo do escândalo se tornar público, alguma pessoas a procuraram para dizer que boatos davam conta de que ela era a responsável por denunciar o esquema.

RepórterMT

Delegada Alessandra Saturnino de Souza é a primeira a ser ouvida nesta sexta-feira.

Delegada Alessandra Saturnino de Souza é a primeira a ser ouvida nesta sexta-feira.

DA REDAÇÃO



A delegada Alessandra Saturnino de Souza é a primeira a ser interrogada pelo juiz Murilo Mesquita, da 11ª Vara Criminal de Cuiabá, no processo que ficou conhecido como Grampolândia Pantaneira, um esquema de interceptações telefônicas ilegais em Mato Grosso.

Ela afirmou ao magistrado que antes mesmo do escândalo se tornar público, alguma pessoas a procuraram para dizer que boatos davam conta de que ela era a responsável por denunciar o esquema ao promotor Mauro Zaque, autor da denúncia que deu origem às investigações, que à época era secretário de Segurança Pública. 

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“Me disseram que poderiam acreditar que eu era responsável por essa denúncia, por trabalhar no setor de inteligência. Quero afirmar que não fiz nenhum tipo de encaminhamento nesse sentido”.

O juiz perguntou à delegada se a suposta amante do ex-secretário Paulo Taques, Tatiane Sangali, era alvo das interceptações.

Ela teria sido grampeada na "Operação Fortis", que ivisava colher informações sobre as organizações criminosas Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital.

A delegada afirma que houve o requerimento para que Tatiane Sangali fosse grampeada. 

Ainda serão ouvidos os delegados Flávio Stringuetta, Alana Derlene Cardoso, além do ex-secretário de Segurança, Rogers Jarbas, o ex-secretário de Segurança na Gestão Silval Barbosa, Alexandre Bustamante, José Conceição dos Santos Arruda, Yara Yasanne Gonçalves e Rafael Meneguine (em substituição à delegada da PJC Ana Cristina Feldner).

O caso

Os telefones foram interceptados com autorização judicial. Os documentos pedindo à Justiça autorização para isso foram assinados pelo cabo da PM, Gerson Luiz Ferreira Correia Júnior, numa suposta investigação de crimes cometidos por PMs. No entanto, foram juntados os telefones de quem não era suspeito de crime algum, numa manobra chamada “barriga de aluguel”.

O caso foi denunciado pelo promotor de Justiça Mauro Zaque. Em depoimento encaminhado à Procuradoria-Geral da República, ele afirmou que, naquele ano, ouviu o coronel Zaqueu Barbosa, comandante da PM à época, dizer que as interceptações telefônicas eram feitas por determinação de Pedro Taques (PSDB). Zaque alega ainda que levou o assunto ao governador, que ficou constrangido, mas não fez nenhum comentário.

 

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