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Depoimento de delegada foi prestado à Corregedoria da da Polícia Civil e é contestado pelo ex-secretário
CAROL SANFORD
DA REDAÇÃO
A delegada da Polícia Civil e ex-secretária-adjunta de Segurança Pública, Alessandra Saturnino afirmou, em depoimento na Corregedoria-Geral da corporação, ter “grampeado” duas ex-funcionárias da Casa Civil, após pedido de investigação do ex-secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, acompanhado pelo ex-secretário adjunto de Segurança Pública, Fábio Galindo.
Conforme o depoimento ao qual o
teve acesso, Taques acreditava que as funcionárias Tatiane Sangalli e Caroline dos Santos estariam repassando informações da Casa Civil para o ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro. Segundo o ex-secretário, havia uma articulação para o retorno de Arcanjo ao Estado, através de casamento com Tatiane, que colocaria a vida do governador Pedro Taques (PSDB) e a de Paulo Taques em risco.
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Outro temor do ex-secretário, segundo a delegada, era de que ele e o governador pudessem ser dopados, por Tatiane, que frequentava as mesmas ocasiões sociais, e com isso, expostos a situações vexatórias.
Alessandra afirmou que Paulo Taques teria passado três números de telefones a serem investigados. Além das duas funcionárias, o telefone do jornalista José Marcondes, o Muvuca, também teria sido interceptado.
Taques informou à delegada que dados do gabinete da Casa Civil e do governador sempre eram noticiados no site de Muvuca e que seriam repassados pelas duas mulheres. Alessandra, no entanto, disse no depoimento que não encontrou evidências do envolvimento do jornalista e o retirou da lista.
“Paulo Taques lhe disse que tinha recebido aquela grave denúncia de um órgão federal, pois ele dizia que o governador, apesar de ter deixado o cargo de procurador da República, ainda gozava de prestígio perante seus antigos pares, dando a entender que aquela informação teria vindo da Procuradoria da República ou da Polícia Federal”, declarou ela, no depoimento.
Ainda segundo Alessandra, a vinda de Arcanjo para Mato Grosso também colocaria o sistema prisional do Estado em risco. Dessa forma, pediu que a também delegada da Polícia Civil, Alana Cardoso, introduzisse a apuração no âmbito da Operação Forti, que tinha como foco as facções criminosas, que atuavam em presídios e cadeias e fora delas.
Elas teriam confirmado que Arcanjo estaria de fato tentando se estabelecer no Estado e determinaram que os telefones de Tatiane e Caroline fossem investigados à parte da Operação Forti. Esse anexo foi denominado Operação Pequi.
Essas investigações tinham o conhecimento do secretário-adjunto de Segurança, Fábio Galindo, e foram conduzidas pelo coordenador da Gerência de Combate do Crime Organizado, o delegado Flávio Stringueta.
As interceptações teriam durado apenas cerca de dois meses e nada ficou constatado, encerrando as investigações. Alessandra disse que nunca foi procurada pelo governador Pedro Taques sobre o assunto.
Outro lado
Procurado pela reportagem, Paulo Taques afirmou que as declarações da delegada são mentirosas e que não passam de uma tentativa de autodefesa, para encobrir as ilegalidades confessadas pela delegada Alana, que acusou Alessandra pelas interceptações clandestinas na Polícia Civil.
Taques disse que nunca fez qualquer pedido de investigação, nem que teria repassado números de telefones para que fossem interceptados.
O ex-secretário declarou que tomará todas as medidas legais para que Alessandra responda “pelas mentiras lançadas”.
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