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18 de Novembro de 2021, 09h:10 - A | A

PODERES / OPERAÇÃO CAPISTRUM

Chefe do MP denuncia Emanuel por suposta organização criminosa na Saúde

Recurso de Emanuel contra o afastamento saiu da pauta desta quinta-feira (18) em razão de novas provas no processo

Luiz Alves

Prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro foi afastado judicialmente do cargo

Prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro foi afastado judicialmente do cargo

CAMILLA ZENI
DA REDAÇÃO



O procurador-geral de Justiça de Mato Grosso (PGJ), José Antônio Borges Pereira, denunciou o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), por crimes de responsabilidade e organização criminosa, no âmbito da Operação Capistrum, que resultou no afastamento do gestor no dia 19 de outubro.

A informação consta em despacho do desembargador Luiz Ferreira da Silva, da noite dessa quarta-feira (17). Por conta da denúncia criminal, o recurso de Emanuel contra a decisão que determinou seu afastamento, que estava previsto para julgamento nesta quinta-feira (18), na Turma de Câmaras Criminais Reunidas, saiu da pauta.

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“Aportou no final da tarde de hoje, no gabinete deste magistrado, os autos do Inquérito Policial n. 47.519/2021 e os da Medida Cautelar n. 47.520/2021, do quais se extrai que o Procurador-Geral de Justiça ofertou denúncia de 128 laudas contra o agravante e aos demais investigados e juntou inúmeros documentos que foram colhidos durante as diligências investigatórias”, diz trecho da publicação.

Segundo o despacho, Emanuel incorreu em organização criminosa e crime de responsabilidade, este último em, pelo menos, três situações, que se repetiram diversas vezes. A denúncia aponta a utilização indevida, em proveito próprio ou alheio, de bens, rendas ou serviços públicos por 161 vezes; nomeação ou designação de servidores de forma contrária à legislação por 259 vezes, e, ainda, por deixar de cumprir ordem judicial sem dar o motivo da recusa à autoridade competente.

O PGJ teria apresentado, inclusive, diversas provas colhidas em documentos e aparelhos eletrônicos apreendidos na investigação.

“Diante disso, para melhor analisar o presente caso, com fulcro no art. 92, § 9º do Regimento Interno deste Tribunal de Justiça, determino o adiamento do julgamento deste recurso de agravo interno para a próxima sessão possível da Turma de Câmaras Criminais Reunidas”, anotou o desembargador. Não há nova data para julgamento do recurso.

Além de Emanuel, também foram denunciados a primeira-dama, Márcia Pinheiro, o chefe de gabinete do prefeito Antônio Monreal Neto, a secretária-adjunta de Governo, Ivone de Souza; e o ex-coordenador de Gestão de Pessoas, Ricardo Aparecido Ribeiro. Todos foram alvos da Operação Capistrum, e alvos de medidas cautelares que os afastaram da Prefeitura.

Operação Capistrum

A Operação Capistrum foi deflagrada pelo Núcleo de Ações de Competências Originárias (Naco Criminal) do MPE, com mandados de busca e apreensão contra o prefeito Emanuel Pinheiro, a primeira-dama Márcia Pinheiro, o chefe de gabinete Antônio Monreal Neto, e a secretária-adjunta de Governo, Ivone de Souza. 

Ainda, foi cumprido mandado de prisão temporária contra Antônio Neto, que obteve liberdade no dia 22 de outubro. O Tribunal de Justiça também autorizou bloqueio de bens na ordem de R$ 16 milhões dos investigados. 

Conforme a decisão judicial, a operação gira em torno do descumprimento a decisões que proibiam contratações temporárias na Saúde de Cuiabá, realizadas, segundo o MPE, para atender interesses políticos, e do pagamento irregular de prêmio saúde. Os valores, de acordo com a investigação, variavam de R$ 70 a R$ 5,8 mil, e eram pagos sem critérios, conforme afinidade política.

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