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12 de Maio de 2017, 16h:10 - A | A

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Advogado diz que foi alvo de escutas ilegais quando atuava na eleição de 2014

José do Patrocínio atuou na coordenação jurídica do então candidato ao Governo do Estado, Lúdio Cabral (PT). Ele questiona os grampos ilegais que quebraram seu sigilo telefônico através de escutas monitoradas pela PM.

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Patrocínio contou ter descoberto ser alvo de interceptação telefônica por um repórter do programa Fantástico, da Rede Globo.

Patrocínio contou ter descoberto ser alvo de interceptação telefônica por um repórter do programa Fantástico, da Rede Globo.

CAROL SANFORD
DA REDAÇÃO



O advogado, especialista em Direito Eleitoral, José do Patrocínio relatou nesta sexta-feira (12) ser alvo de escutas telefônicas ilegais desde 2014, quando atuava na coordenação jurídica do então candidato ao Governo do Estado, Lúdio Cabral (PT), na eleição daquele ano.

Conforme Patrocínio, a inserção de seu número nos “grampos” se deu em uma investigação de tráfico internacional de drogas. Porém, ele garante nunca ter atuado no âmbito criminal do Direito.

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“Não há nenhum indício de pessoas vinculadas ao meu nome. Não tenho nenhum tipo de histórico na área criminal. Sou advogado eleitoral. Na verdade, o intuito da gravação era saber das informações privilegiadas e as estratégias que eu tinha utilizado para a campanha da qual eu advogava”, afirmou.

“Fiquei sabendo pelo repórter que eu tinha sido grampeado ilegalmente pelo staff do governo. Claro que me espantei. Fiquei perplexo com a informação”, disse Patrocínio.

Ele contou ter descoberto ser alvo de interceptação telefônica por um repórter do programa Fantástico, da Rede Globo, que está em Cuiabá para gravar matéria a respeito do assunto.

“Fiquei sabendo pelo repórter que eu tinha sido grampeado ilegalmente pelo staff do governo. Claro que me espantei. Fiquei perplexo com a informação”, disse Patrocínio.

Segundo ele, as escutas são monitoradas pelo alto comando da Polícia Militar, que não tem competência para "grampos" em diversas esferas, como deputados estaduais e federais, além de magistrados.

“A Polícia Militar, o Ministério Público do Estado e o próprio juízo de primeiro grau não têm competência para quebrar o sigilo de muitas pessoas que tiveram seus telefones ‘grampeados’ pela prerrogativa de foro”, explicou.

“Há informação de que parte da Polícia Militar já estava sob o comando do atual governo. Havia uma divisão, pessoas pró e contra e pessoas que trabalham a serviço do staff em prejuízo dos adversários”, acusou o advogado.

Patrocínio ainda disse que o caso pode gerar uma ação na Justiça Eleitoral pedindo a cassação do registro de candidatura de Pedro Taques (PDMB), que, através das informações adquiridas por meio de espionagem ilegal, teria se beneficiado para vencer as eleições.

“Isso é de interesse do PT e do PMDB, do qual eu tive o privilégio de advogar e defender. Então, eles que vão dizer se tem interesse ou não tem interesse pra gente saber qual é o tipo de ação. Que eles foram prejudicados eu não tenho dúvida”, comentou.

“A Polícia Militar, o Ministério Público do Estado e o próprio juízo de primeiro grau não têm competência para quebrar o sigilo de muitas pessoas que tiveram seus telefones ‘grampeados’ pela prerrogativa de foro”, explicou.

Ainda de acordo com Patrocínio, as escutas só foram encerradas em 2015.

Entenda o caso

Um grande esquema de escutas clandestinas - conhecido como “barriga de aluguel” – que contou com a participação de agentes do Setor de Inteligência da Polícia Militar de Mato Grosso espionou políticos, médicos, empresários, assessores e até um coronel da própria PM. A informação consta na denúncia investigada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que veio à tona na tarde desta quinta-feira (11), logo após o anúncio da saída de Paulo Taques, da Casa Civil.

A investigação será tema de uma reportagem especial do programa Fantástico, da TV Globo. A mesma tinha como alvo principal uma quadrilha especializada em tráfico de drogas e foi autorizada, em 2014, por um juiz que atuava na comarca de Cáceres, que fica na fronteira com a Bolívia.

O Governo do Estado anunciou na quinta-feira que o advogado Paulo Taques deixou a Secretaria da Casa Civil para assumir a defesa do governador em processo referente à interceptações telefônicas clandestinas no âmbito da Polícia Militar, que hoje estão em curso na Procuradoria-Geral e que foram denunciadas pelo ex-secretário de Segurança Pública do Estado, promotor Mauro Zaque, e seu adjunto, Fábio Galindo.

A denúncia, supostamente recebida por eles anonimamente, foi feita pelo ex-secretário ao governador em outubro de 2015. Segundo o Governo,ato contínuo, TAques remeteu o caso ao Ministério Público Estadual, por meio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) para investigação.

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Victor 12/05/2017

Se A OAB não intervir de forma dura este caso vai cair no ostracismo, como o esquema da seduc, no qual o MP negligentemente deixou de denunciar o governador, mesmo com provas robustas de que os recursos desviados naquela pasta foram para quitar dívidas de campanha.

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1 comentários