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29 de Novembro de 2016, 07h:55 - A | A

OPINIÃO /

Trump e as mídias sociais

Será que o futuro presidente dos EUA vai mudar o meio de se comunicar com o cidadão?

ALFREDO MENEZES



Donald Trump, em sua primeira conversa com o país depois da vitória, usou as redes sociais. A regra num momento desses sempre foi a de convocar uma coletiva de imprensa, aceitando inclusive perguntas. Dias antes ele havia chamado a grande imprensa do EUA de ‘desonesta‘. Um alvoroço.

Um enfrentamento com uma das mídias mais fortes do planeta? Grupos como CBS, NBC, ABC, CNN e FOX ou cinco ‘Globos‘, além de jornais do porte do New York Times, Wall Street Journal e Washington Post? É como se ele dissesse, vou administrar e não preciso de vocês. Um assunto a ser seguido porque coisas positivas ou negativas que ocorrem naquele país acabam espalhando pelo mundo.

Será que o Trump vai falar com a nação na maioria das vezes pela mídia social ? Seu guru nesse assunto na campanha, Steve Bannon, que vai fazer parte de sua equipe de governo, tem um blog e sempre bateu duro na chamada grande mídia. Acredita que a outra pode enfrentar a grandona.

Esse assunto teve desdobramento interessante. O jornal The New York Times está recebendo adesões ao seu site eletrônico mais do que em qualquer outro momento. Em uma semana, comemorou o jornal, receberam mais de 41 mil novas adesões. Gentes que diziam que estavam procurando essa mídia porque ela faz triagem e checagem em suas matérias.

Na mídia social aparece sem triagem qualquer tipo de notícias ou comentários, fica difícil saber o que é verdade ou não. Pesquisa naquele país mostrou que um comentário maldoso sobre alguém na mídia social espalha duas vezes mais rápido do que uma coisa boa.

Mais um ingrediente para este instigante tema. A chamada mídia tradicional tem também um corpo cada dia maior de articulistas para diferentes assuntos. No artigo se destrincha mais as notícias.

A mídia social, até agora, não tem um corpo de articulistas que possa competir com os da outra mídia. Poderia até ter, mas é uma competição complicada porque na mídia social o artigo tem que ser na velocidade da ação de um site. Uma coisa difícil de ser seguida.

Não se sabe onde isso tudo vai dar. Mas, convenhamos, é um assunto apetitoso para um debate acadêmico, não é não?

O que o Trump falou naquela mensagem ficou menor do que a mensagem que ele passou dessa imaginada disputa futura entre as mídias tradicional e a social.

Mas, para não passar em branco, tomo dois tópicos que ele falou. Um, afastar os EUA da integração econômica com os países do Pacífico. O primeiro ministro japonês já deu entrevista dizendo que sem os EUA acaba aquela integração.

Dois, vai permitir uso de carvão nas indústrias nos EUA. Bate de frente com ambientalistas internos e externos e com decisões mundiais sobre o assunto. Tópicos fortes mas que ficaram até encobertos pelo inusitado uso da mídia social ao invés da outra.

Alfredo da Mota Menezes é professor universitário e analista político

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