Cuiabá, 24 de Outubro de 2026
XX°C
RepórterMT - Notícias de Mato Grosso e Cuiabá Hoje
24 de Outubro de 2026

26 de Agosto de 2012, 08h:52 - A | A

OPINIÃO / LOUREMBERGUE ALVES

O cenário e a fotografia

LOUREMBERGUE ALVES



Divisões e alianças são mais que simples palavras. São, de fato, ações que mudam o jogo eleitoral. Mudam porque as adesões podem somar, enquanto as fragmentações enfraquecem.


Enfraquecimento que pode levar um coronel político a derrota, a exemplo de Wilmar Peres de Farias.


Nada lhe adiantaram a condição de ex-governador e o peso político da família. Dos votos válidos e contabilizados, 31,56% tinham o seu nome; 19,75%, o de Daltinho (PMDB); 9,82%, o de Miguel Moreira; enquanto 39,1% foram para o ex-vereador Zózimo Chaparral (PC do B), que contou com o apoio do PT, PSDB e PSB.


Esta derrota, no entanto, ao contrário do que se dizia à época, não “acabou” com o núcleo familiar e político dos Farias. Este sofreu, é verdade, e bem mais pela própria cisão no seu seio. Mas, logo se viu oxigenado com o retorno de velhos apadrinhados, que haviam “virado a casaca” em razão da cisão bastante presente no dito clã, e que se sentiram “excluídos” da “distribuição” das benesses pelo prefeito eleito.


Chaparral tinha outra estratégia. Estratégia, contudo, por vezes incompreendida pela população e não suficientemente forte para “desbancar” os Farias, que retornaram a disputa, desta feita com Wanderlei (PP).


A vitória deste, entretanto, não foi bastante para esconder as feridas – antigas e velhas – que continuam a mostras, sem cicatrizarem. Isso fica claro na eleição deste ano, com o núcleo-familiar e político que se mantém dividida: de um lado, os aliados de Wanderlei, que articulou a candidatura da sobrinha Andréia Santos (PR); de outro, os apoiadores do filho de Wilmar Peres, Roberto, conhecido por Beto (PSD).


De tal racha familiar, beneficia os candidatos adversários. O que exigiriam, evidentemente, capacidade e habilidade política. Virtudes, contudo, pelo menos até agora, ainda não identificadas na candidatura peemedebista, Daltinho; muito menos no representante do PTC, Fernando Lira; e, tampouco, na campanha do Badico (PDT).


Estes nomes podem até surpreender, em especial o indicado pelo PMDB – já que não é a primeira vez que ele se coloca como candidato a prefeito. Prognóstico, porém, demasiadamente cedo para ser feito. Até porque, dependendo do transcorrer da campanha, o eleitorado de Badico pode colocar “mais lenha na fogueira”, a ponto, por exemplo, de deixar mais indefinida a eleição.


Trata-se, portanto, de uma briga indefinida. Tudo pode acontecer. Inclusive uma vitória de um dos representantes dos Farias. Uma pesquisa, recentemente publicada, revela exatamente isso, com o Beto na liderança, 28% das intenções de votos; o Daltinho, com 18%; empatado tecnicamente com a Andréia Santos, que tem 16% da preferência; lá atrás, aparece o Badico, 6%, e Fernando Lira, 1%.
Índices que, obviamente, tendem a ser mudados.


Principalmente porque existe um percentual significativo dos chamados indecisos, 26%. Detalhe que reforça o dito anteriormente: a eleição ainda não está definida. Sobretudo quando se sabe que a briga pela prefeitura de Barra do Garça, quase sempre, foi muito acirrada. Esta se torna mais verdadeira com a existência de cinco candidaturas, e entre os quais três deles com muito potencial de crescimento.


Isso é um dado que não se contrapõe a certeza de que o núcleo-familiar e político Farias continuará dividido. Pois em jogo não está apenas o poder de mando local, mas a vaidade – sempre alimentada pelas divergências já enraizadas no seio da família que, pelo jeito, direta ou indiretamente manter-se-á como núcleo político doméstico, ainda que dividido. Daí a defesa, e até esporádica e sem substância, da divisão do Estado.
 

*Lourembergue Alves é professor universitário e articulista político.


A redação do RepórterMT não se responsabiliza pelos artigos e conceitos assinados, aos quais representam a opinião pessoal do autor.

>>> Receba as principais notícias de Mato Grosso em primeira mão. Clique aqui!

Comente esta notícia