VINÍCIUS ANTÔNIO
DO REPÓRTERMT
O ajudante de pedreiro Amilton Vieira acionou a Justiça contra o advogado Marcelo Da Pieve e pede R$ 606,4 mil em indenização. Ele acusa o profissional de ficar com dinheiro e terrenos recebidos em um acordo pela morte de suas duas filhas em um acidente de trânsito, além de causar dívidas em seu nome.
À reportagem, Amilton afirmou que não autorizou a negociação e que enfrenta dificuldades financeiras, sem ter casa própria.
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“Ele fez um acerto por trás, sem eu saber, sem a minha autorização, e pegou dois terrenos e R$ 70 mil em dinheiro. [...] Hoje eu não tenho casa, eu moro em uma casa que não é minha, de favor praticamente. Estou numa situação complicada”, relatou.
Segundo a petição, o trabalhador contratou Marcelo após perder Gabriela da Conceição Vieira, de 13 anos, e Bruna Beatriz da Conceição Vieira, de 8, em setembro de 2012. Elas estavam em um Fusca atingido por uma caminhonete no entroncamento das rodovias MT-242 e MT-491, entre Sorriso e Ipiranga do Norte.
O documento informa que o motorista da caminhonete foi condenado a pagar indenização em abril de 2023. Após a sentença, Marcelo teria fechado um acordo de R$ 310 mil, datado de maio daquele ano, sem consultar Amilton.
A negociação previa R$ 70 mil em dinheiro e dois terrenos em Itanhangá, avaliados em R$ 120 mil cada. Embora o acordo tenha sido homologado judicialmente, o trabalhador afirma que não assinou o documento e não recebeu nenhum valor ou imóvel.
O atual advogado de Amilton, Eduardo Cândido, reforçou a acusação de que o cliente ficou sem acesso à indenização.
“Ou seja, um valor total de R$ 310 mil. Esse acordo não passou pelo conhecimento do Amilton. Amilton não recebeu nenhum real desse acordo”, afirmou.
Conforme a petição, os R$ 70 mil foram depositados na conta da empresa Dapieve Consultoria e Assessoria Ltda., apontada como pertencente a Marcelo, em duas transferências realizadas em abril e maio de 2024. O advogado também teria solicitado à Prefeitura de Itanhangá que os terrenos fossem cadastrados em seu nome.
Amilton disse ao
que chegou a procurar Marcelo para saber do processo, mas recebeu a informação de que havia perdido a ação. Segundo ele, a descoberta do acordo ocorreu depois que buscou ajuda para entender cobranças de dívidas em seu nome.
“Quando eu ganhei a questão, eu procurei ele. Ele falou que nós tínhamos perdido a questão”, afirmou.
A petição situa a descoberta do acordo no fim de julho de 2024. As dívidas que levaram Amilton a buscar esclarecimentos eram referentes às custas de uma ação anterior contra a associação APASI, da qual Marcelo havia desistido. O trabalhador atribui a cobrança à atuação do advogado. Os débitos inscritos em dívida ativa estadual somavam R$ 34,6 mil em setembro de 2023.
Ao relatar como reagiu depois de conhecer os detalhes do caso, Amilton disse que chorou no escritório de Eduardo. Ele também explicou por que recusou a proposta de receber os terrenos.
“Nesse dia lá no escritório do doutor Eduardo, chorei, fiquei abalado. [...] Na verdade, eu falei para o doutor Eduardo que eu não quero esse terreno, eu quero que ele me pague em dinheiro, porque, na verdade, eu não estou mais morando aí”, declarou.
Sobre a versão de Marcelo, Eduardo afirmou que o advogado sustentou que Amilton havia autorizado a continuidade do processo contra o motorista e que os valores recebidos ficariam integralmente com o profissional. O representante do trabalhador contesta essa explicação.
“O doutor Marcelo sustenta, de forma geral, que o Amilton teria autorizado ele a continuar o processo em face do condutor da caminhonete e que qualquer valor recebido seria exclusivamente do advogado, sem participação do cliente”, disse.
“É isso que a gente está tentando provar na Justiça, que este acordo de R$ 310 mil, que o Amilton não teve conhecimento, não recebeu nenhum real, foi ilegal, que o Amilton deveria ter sido consultado e receberia a sua porcentagem, o advogado também, e o processo teria sido finalizado de forma correta, não como foi”, acrescentou Eduardo.
O advogado também questiona o valor da negociação. Segundo ele, o acordo ficou abaixo do montante a que o trabalhador teria direito com base na sentença.
“A sentença, na verdade, alcançava quase R$ 500 mil na época em que ela foi prolatada. Ainda assim, o Marcelo aceitou o acordo de R$ 310 mil”, afirmou.
Na petição, Amilton pede R$ 471.790,37 relativos à indenização que afirma ter perdido, R$ 34.660,71 pelas dívidas e R$ 100 mil por danos morais, totalizando R$ 606.451,08.
O
tentou entrar em contato com o advogado Marcelo, acusado no processo, mas não obteve sucesso, encontrando apenas uma página no Linkedin onde não constam informações de contato. Também foi encontrada a relação dele com o escritório Da Pieve & Pereira Advocacia, mas o número indicado não atende às ligações. O espaço continua aberto.



















